Em essência, videogame é uma atividade solitária. No começo os jogadores se deslocavam para um fliperama, mas quando os consoles foram ficando mais conhecidos, a diversão migrou das locadoras e bares para o conforto do lar. Hoje a maioria dos jogadores jogam em casa, e tirando alguns jogos mais sociáveis (como futebol, games de luta e corrida) a maioria dos games são desbravados sozinho, sem ninguém por perto. Tomb Raider, jogos da série Final Fantasy, Super Mario ou um Resident Evil são exemplos claros que marcaram a nossa infância. Aí uma conquista ou um feito mais difícil era apenas comentado pelo jogador para um amigo. Dificilmente ele provaria que matou o Ruby Weapon em Final Fantasy VII, a menos que ele filmasse ou tirasse uma fotografia no momento exato da morte ou mostrando aquele item raro deixado pelo inimigo. Não existia, naquela época, uma maneira de mostrar para o mundo que você é o maioral em certo game.
Mas isso mudou aos poucos. Primeiro via em revistas fotos de jogadores que zeravam Resident Evil em poucas horas, o que já mostrava que existia jogadores melhores do que a gente. Logo depois, a internet começou a quebrar a barreira da solidão do jogador, onde games de tiro eram disputados online ou mesmo numa lan-house. Começaram a surgir os primeiros leaderboards online, onde muitos gamers disputava a tapa quem eram os melhores naquele jogo. Os rankings existiam em games offline antes da internet começar a se difundir, mas em sua maioria ficavam gravados em memory cards ou em cartuchos que gravavam. Obviamente como eu passei pelo SNES só com cartuchos piratas (não tinha dinheiro pra comprar original), os recordes não eram gravados, ficando mais com quem jogava o mesmo game numa reunião em casa. Ou mesmo usando um papel, onde tínhamos campeonatos de “Campeonato Brasileiro” (nos Wining Eleven modificados) e de Mario Kart. Mas nada de mostrar pro mundo que você era o melhor.
Não conheço muito a história dos leaderboards, mas parte da história está acontecendo nesse momento. Tudo começou com a Microsoft, que iniciou as disputas online criando o sistema de gamerscore. Sim, estamos falando das conquistas, que são desafios inseridos nos jogos. Cada conquista vai para um gamerscore e o jogador vai acumulando pontos. A Microsoft foi esperta e liberou uma API para que sites pudessem mostrar esses pontos e por isso os jogadores enfim puderam mostrar pro mundo as suas conquistas e realizações:
Sim, acima temos um exemplo de um gamecard (que peguei da página do Dori Prata) que mostram a sua pontuação online, e ao acessar é mostrado uma página completa, com todas as conquistas dos jogos que ele jogou e ganhou os seus pontos:
Com isso você pode chegar e dizer que fez tudo de um determinado game e deixar seus amigos morrendo de inveja. Estava armado o campo de batalha entre os jogadores amigos que tem o mesmo console. A tal da mecânica de bolhas, como o Gustavo comentou ano passado. Se o seu vizinho ou colega de trabalho vê que você tem um videogame potente ele vai acabar comprando o mesmo console para jogar online e tirar uns rachas com você. O primeiro exemplo de competição nesse sentido é algo que ocorreu ano passado por aqui, entre eu, o próprio Gustavo e o Faccenda com o Burnout Paradise. Sério, a Criterion criou um sistema interno que incentiva o jogador a tentar vencer o outro nas estatísticas:
Caso queira ver o seu profile e comparar com seus amigos, logue por aqui!
Isso chegou a render posts por aqui, onde o Gustavo e o Faccenda disputavam quem fazia mais milhas com drift, já que dava pra ver isso pela internet. E com TVs em alta definição tirar uma foto e mandar para um fórum de discussão acaba sendo mais fácil. Até eu entrei na roda, onde eu e o Gustavo entramos em guerra para ver quem tirava a licença elite primeiro. Sério, foi num sábado e joguei pra caramba. Nesse dia que aprendi a fazer as Stunt Runs, já que eu era muito ruim e faltavam algumas competições no jogo pra chegar nessa licença. Eu queria, mais do que tudo, vencer ele e mostrar pro povo que eu tinha conseguido esse feito antes, o que aconteceu depois de 6 horas ininterruptas de jogatina. 3 horas depois ele chegou, o que acabou esta competição. Obviamente teríamos depois os MMBB, onde poderíamos disputar entre si participando de corridas ou colaborando para fazer alguma challenge do Burnout. É claro que eu gostaria de ter uma TV que gravasse em HD e eu pudesse upar pro Youtube algumas corridas . Sério, correr perigosamente numa auto-estrada com um competidor de alto nível na sua cola seria muito bom para o ego da gente. E mostrar isso num blog também!
Mas nada se compara aos rankings online. Tal como comentei sobre as conquistas, a Sony copiou o sistema e o modificou, criando o sistema de troféus. O sistema de gamerscore pontua de maneira variável: certos desafios dão 10 pontos, outros dão 100 e por aí vai. Não gosto muito do sistema já que muitos jogadores fanáticos pelo gamerscore vão acabar pegando muitos jogos e fazendo poucas conquistas, acumulando muitos pontos. O sistema de troféus acaba sendo mais equilibrado, já que temos apenas 4 tipos de troféus: bronze, prata, ouro e platina. Aqui todos os troféus de uma categoria tem o mesmo peso, diferente do Xbox onde temos conquistas com 5 pontos e outras com 10. No Burnout Paradise, por exemplo, reparar seu carro dá míseros 5 pontos e outras conquistas mais simples 10. No PS3 conquistas de 10 e 5 pontos em sua maioria dão troféus de bronze. E o sistema de gamerscore não premia tanto quem tenta fazer tudo possível no jogo. No PS3 temos o troféu de platina, que fica visível nos cards e que premia quem faz quase todos os troféus iniciais de um jogo (exceto os DLCs). Em gamerscore não mostra, por exemplo, quantos jogos o gamer completou 1000 pontos de um jogo, sendo necessário acessar a página interna.
É claro que existem exemplos extremos do mal-uso dos sistemas. Nas conquistas, temos algumas que não dão nenhum ponto (X-men: The Official Game) e games que dão 1000 facilmente, como o King Kong. No PS3 temos o Terminator: Salvation, com apenas 12 troféus, sendo 11 de ouro e um de platina, o que alimenta a gozação, já que muitos gamers jogam apenas pelos troféus (já que o game é ruim, segundo a maioria da crítica especializada). Ainda assim alguns troféus trazem prestígio ao jogador. Uma platina em Demon’s Souls, por exemplo, acaba sendo mais valorizada que games mais fáceis, como Tomb Raider: Underword e Burnout Paradise, já que, como a maioria sabe, Demon’s Souls é um dos jogos mais difíceis de se platinar.
Independente disso, eu copiei uma idéia no UOL Jogos onde tinha um ranking se troféus, e iniciamos o que seria o post com mais comentários do blog. Sim, o ranking de troféus temos mais de 1000 comentários, o que mostra que a gente necessita competir com alguém, só que isso não seria possível se a Sony não tivesse implementado maneiras de mostrar os seus troféus online. Na página oficial dá pra comparar com até 5 jogadores o desempenho dos troféus (estando logado), mas o que é mais usado é o card “não-oficial” do MMOS, onde os caras conseguem puxar os troféus e mostrar num card mais bonito que o card oficial da Sony:
A página do MMOS também é interessante por mostrar os troféus de forma separada (veja um exemplo) e sem logins. O MyGameCard.net (aparentemente o site mais usado pela maioria dos jogadores do X360) não tem isso, sendo que para ver as conquistas individuais de um jogo é necessário uma conta na Live e acessar o site oficial. Infelizmente a página oficial da Sony também fechou esse acesso, e por isso acabamos dependentes de sites de terceiros, que às vezes ficam instáveis e saem fora do ar/ficam em manutenção.
Alguns jogos também mostram as estatísticas de desempenho em páginas web. Killzone 2 (no momento offline), Battlefield 2 e Uncharted 2, por exemplo, tem páginas completas com medalhas e ranking mundial, para poder mostrar ao mundo as suas pontuaçõs e conquistas no modo multiplayer:
Meu profile de Uncharted 2
Estatísticas do leitor Nohautzen, do Battlefield: Bad Company 2
Mas o que me deixou realmente impressionado é o Armory, o sistema de estatísticas do World of Warcraft. Acredite, é a página mais impressionante que já vi nesse quesito. Dá pra ver o personagem em 3D (podendo rotacionar e ver animações pré-programadas do jogo), ver as estatísticas, comparar com outro jogador, ver as armas que ele adquiriu (bastando arrastar o mouse em cima do equipamento) e ver as últimas conquistas (sim, o game também tem um sistema interno de Achievements). Você consegue ver isso com um personagem que está acima do nível 10, bastando apenas logar usando a sua conta da Battle.net:
Acredite: o meu anão, no jogo, está com a mesma roupa que está acima!
Eu sabia desse Armory quando visitava a página da Lorie, do WoW Girl, onde ela tem 2 personagens na sidebar do blog, onde, ao clicar, você vê os dois personagens e suas estatísticas completas. O Armory é de cair o queixo e é algo que até me anima a adquirir o jogo. E temos também o WoWHead, com todas as armas, descrição de como conseguí-las, poder comparar com outros sets de armamentos, etc. Uma página completíssima, algo que a gente não vê em outros games do gênero. Algo que aproxima bastante é o wiki não-oficial do Demon’s Souls. Um exemplo do WoWHead:
A tendência acaba sendo ter páginas de internet pra mostrar o desempenho e as realizações de um gamer num console. LittleBigPlanet 2, por exemplo, terá no futuro o LBP.me, onde poderemos divulgar nossas fases de uma maneira mais fácil.
Outros recursos interessantes que o desenvolvedor pode pensar é mandar as realizações para as redes sociais. O Uncharted 2 tem integração com o Twitter e o Playstation 3 tem integração com o Facebook, onde, a cada sincronização de troféus, é enviado para o site todos os troféus recentes, escondendo os troféus “secretos”. O Youtube também é uma boa. Já imaginaram o Gran Turismo 5 com integração ao site? Fazer uma corrida online, montar um vídeo interno usando o sistema de replays e mandar pro site? Até tava querendo, no futuro, organizar campeonatos aqui entre os donos do jogo, onde iríamos fazer algo parecido com as competições reais: várias corridas em diversos finais de semana e um sistema interno de pontuação, comentando em posts como foi e tendo vídeos e imagens. Seria muito interessante isso, formentando de forma sadia as competições nos videogames.
Atualmente como desenvolvedor de software backend, mas já foi jornalista e editor de conteúdos por mais de 10 anos, trabalhando também em portais importantes como o START UOL, Card na Manga e A Pá Ladina, além de outros sites de esports e MMOs. Hoje cobre com especialidade jogos como Fortnite, World of Warcraft, souls-likes, animes, games, cultura pop e é fã de cosplays!