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Análise – inFAMOUS: Second Son (PS4)

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Infamous surgiu no PS3 como um dos primeiros jogos da geração. Muito embora algumas falhas um poucos sérias, como um sistema de combate um pouco tedioso e gráficos não muito atrativos, o game da Sucker Punch tinha uma ótima trama, a qual se destacou de sobremaneira rendendo ao game uma continuação que contou com diversas melhorias no combate, na história e nos gráficos de forma geral.
Nesse sentido, Infamous: Second Son, terceiro jogo da franquia, chegou nas primeiras levas de lançamentos para o novo console da Sony, procurando dar o tom da nova geração. Pois bem, temos um jogo muito bonito graficamente, com alguns problemas que – surpreendentemente – já estavam no primeiro jogo e assim permaneceram até o jogo atual e com uma história não tão interessante quanto a do primeiro game, mas que é satisfatória.
A trama gira entorno de Delsin Rowe, um jovem cheio de ideais revolucionários que vive no mundo pós-Infamous 2 (especialmente o “final bom”) em que surgiram diversos novos “super humanos” conhecidos no universo do game por Condutores. Nesse mundo, os condutores são segregados pela sociedade e vistos como terroristas em potencial sendo caçados por um grupo especial de investigação conhecido por “DUP”, o qual é liderado por uma mulher fria e calculista chamada Augustine, que esconde objetivos muito obscuros com toda essa “caça às bruxas”.
É uma trama interessante que apela como muitas histórias de super humanos para questões sociais que ocorrem no mundo real. A segregação e perseguição ao “diferente” é marca recorrente na história humana, com segregações raciais, genocídios étnicos e assim, a trama de Infamous procura humanizar os personagens, trazendo a intolerância fruto do não reconhecimento do “eu” no outro tão presente em nosso mundo para o contexto do game.

Nesse sentido, Delsin entra no meio desse fogo cruzado por acaso. Certo dia enquanto andava pela cidade fazendo pichações, um condutor escapa e ele tenta o capturar junto de seu irmão, que é policial. Porém o impensável acontece e num toque de mãos, Delsin “suga” os poderes desse condutor e passa a manifestar poderes relacionados à fumaça (bom, pessoalmente acho mais com cara de “poder do fogo”, mas o jogo traz fumaça, então é isso ae). No meio de toda essa confusão, Delsin tem seu caminho cruzado por Augustine, chefe responsável pelas ações do DUP, que demonstra claramente ter objetivos sórdidos e que não se importa em eliminar quem se colocar em seu caminho.
Após esse encontro, Delsin decide embarcar numa empreitada, junto com seu irmão e com outros personagens que aparecem no decorrer da trama, promovendo uma revolução para libertar os condutores presos pelo DUP, derrotar Augustine e possibilitar a existência pacífica entre condutores e não-condutores.
No começo a trama se desenrola num ritmo bastante rápido e em poucas horas o personagem já possui a maioria dos poderes disponíveis no game. Entretanto, chega um ponto em que há uma queda significativa e o jogo empaca um pouco, principalmente na construção da relação de Delsin com outros condutores.
Quanto aos personagens, com exceção ao irmão de Delsin que, embora banque o irmão mais velho responsável, acaba servindo mais como um personagem suporte e não interfere na trama de forma relevante. Os demais personagens são mais participativos e refletem muito mais originalidade e personalidade. O próprio protagonista consegue passar ao jogador sua personalidade jovem, revolucionária e bem humorada, o que é intensificado pelas expressões faciais incríveis fruto do poder da nova geração de consoles.


Para aqueles que jogaram os games anteriores a adaptação será bem simples e fácil de dominar. A divisão dos controles para o combate físico e o combate com o uso de poderes é de fácil adaptação e bastante intuitivos.
Como o protagonista anterior, Delsin é bastante ágil, capaz de escalar monumentos em pouquíssimos segundos e é com relação a movimentação do personagem que surge o primeiro ponto negativo do game. Ora, é o terceiro jogo da série e um dos jogos inaugurais da nova geração de consoles e a Sucker Punch muito embora tenha realizado um belíssimo trabalho na composição gráfica do personagem, cometeu o mesmo erro quanto a sua movimentação que, como nos jogos anteriores, se apresenta muito anti-natural e robótica. Principalmente quando se está escalando alguma superfície, especialmente quando comparamos com jogos que trabalham bem essa mecânica até mesmo da geração passada (como é o caso, por exemplo, de Assassin’s Creed). Entretanto mesmo sendo um pouco irritante, há que se dizer que de forma alguma essa movimentação pouco natural tira o brilho do game.
Quanto ao sistema de combate, ele se alinha e se adapta conforme o poder que Delsin está utilizando. Ao conseguir o poder da fumaça, temos uma estratégia mais ofensiva, com mísseis explosivos e um ataque especial (que é utilizado conforme se preenche uma barra de “boas ações”) que devasta tudo ao redor. Já com o neon temos uma estratégia mais ágil e tiros rápidos e precisos.

Nesse sentido, há que se falar sobre os poderes. Apesar de começar o game com o poder da fumaça, no decorrer da trama Delsin encontra outros condutores e “recebe” outros poderes como o de Neon e o de TV (sim, são esses os nomes). A troca entre os poderes não ocorre ao toque de algum botão, mas sim ao “sugar” o poder de alguma fonte pela cidade, por exemplo: Para usar o poder da fumaça, procure alguma fonte de fumaça, seja uma explosão ou qualquer outra coisa do tipo ou para usar o poder de neon, procure alguma fonte de neon e comece a drenar a energia. Tudo isso é feito a partir do botão touch central do Dual Shock 4, que é uma maneira bem criativa de utilizar esse recurso do controle. Ainda sobre os poderes, há um sistema de upgrade que funciona com pontos recebidos após completar missões e com a coleta de fragmentos especiais espalhados por toda a cidade e núcleos de transmissão (nos quais normalmente se obtém novas habilidades).
Há que se dizer também que uma das coisas que mais irritavam nos jogos anteriores era a fragilidade do protagonista. Normalmente em Infamous é comum estar rodeado de inimigos atirando em você e assim, não era necessário receber muitos danos para morrer. Em Second Son, houve um bom balanceamento e Delsin aguenta o tranco de levar mais dano dos inimigos e mesmo levando danos suficientes. Já o cenário é rico em lugares onde é possível abastecer os poderes e dessa maneira também renovando a energia vital.

Por fim, o game se passa na cidade de Seattle. Não sei você, mas eu nunca fui à Seattle então não posso dizer sobre as semelhanças entre a cidade virtual e a cidade real. Entretanto, seja como for, a cidade do game é realmente incrível. A iluminação provinda do Sol no horizonte, os reflexos solares na água, a fumaça provinda das chaminés das casas e exaustores dos galpões, enfim… a cidade tem um ar vivo, mas que mantém a sensação de repressão oriunda dos agentes da DUP que vivem circulando pelos mais diversos pontos da cidade. Frisa-se, ainda, a diversidade de missões secundárias existentes pela cidade que ajudam a reduzir um pouco da velocidade com que a história se desenrola, além de possibilitar upgrades para novas técnicas serem utilizadas pelo personagem.
Com uma trama que, embora não seja tão acima da média, cumpre as expectativas e faz bem seu trabalho construindo uma linha harmônica do início ao fim do game e ainda, com um protagonista mais “zuero” se compararmos com o querido “Cole Mcgrath”, mas com o mesmo senso de responsabilidade Infamous Second Son é um game interessante. Também é um dos jogos mais bonitos visualmente desse começo de geração, sendo uma boa aquisição para quem adquiriu um PS4 agora e está procurando jogos que proporcionem experiências interessantes enquanto espera o lançamento de grandes jogos no ano que vem, como The Order: 1886, Bloodborne, The Witcher 3, entre outros.

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