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Análise – Killzone 2 (Playstation 3)

Um dos gêneros que eu sempre evito jogar em qualquer plataforma são os jogos em primeira pessoa. Half Life, Medal of Honor, Call of Duty, Bioshock, e outros games, são jogos que a maioria gosta mas que eu não dou a mínima. Eu até joguei o Half Life uma época, além de ter baixado os demos do Bioshock e do Call of Duty: World At War no PS3, mas eu não penso em adquirir eles no console. Alguns podem rir, mas o meu problema é mais fisiológico do que de gosto mesmo: eu sinto enjôo com esta visão. Quando você joga algo em terceira pessoa a câmera é limitada ao personagem e você, conscientemente, não fica girando ela toda hora em todas as direções. A câmera fica normalmente nas costas, e você segue para frente, girando a câmera pra ver algumas coisas ou procurar algum alvo num jogo como o Uncharted. E mesmo girando, isso não é feito tão rapidamente.
Num jogo em primeira pessoa isso muda. Dependendo do jogo a sensação fica mais evidente: é como se você ficasse tonto dependendo da ação que você fosse fazer. O Flower, por exemplo, dá pra enjoar facilmente, já que você pode ir pra qualquer lugar do campo e pode acelerar a câmera num vôo rasante. Pra quem gosta de experiência assim é até legal, mas em games eu sou mais conservador e menos sujeito a experiências assim. Eu não procuro ficar passando mal jogando alguma coisa. Certos games podem trazer diversas sensações diferentes para as pessoas. Isso é um fato. Mas enjoar em games de primeira pessoa, isso acontece com muitos e atá já foi comentado em revistas especializadas.

Mas isso pode ser falta de costume, e a produtora pode caprichar a ponto de que isso seja eliminado do seu subconsciente. Eu até joguei os dois primeiros Medal of Honor do PSOne, mas depois disso eu fiquei distante do gênero até comprar o Half Life numa promoção do Steam (onde paguei 1 dólar). Até vi o 2 rodando num notebook, mas mesmo assim o gênero estaria fadado ao esquecimento da minha mente. Então comprei o Playstation 3 e com isso tive um novo mundo à disposição. O mundo dos demos, onde, num dia desses, saiu o demo do Killzone 2. Como o jogo estava (ainda está, mas em menor escala) na moda e todo mundo estava falando dele, baixei pra ver. E acredite, a partir daí minha concepção de FPS começou a mudar.
Quanto joguei o demo eu fiquei impressionado. Tão impressionado que eu joguei ele 5 vezes, mesmo sendo bem curto e tendo pelo menos uns 15 a 20 minutos de gameplay. Os fatores principais para que eu gostasse do demo foram estes: ambientação de guerra, época atual/futurista e Gears of War. Peraí: Gears of War? Sim. Antes do Killzone 2 eu tinha jogado os dois Gears, e a sua ambientação de guerra futurista + gráficos fodas + ação extrema me impressionaram de montão. Isso me fez gostar do Killzone 2. Mas era só um demo, e pensei em comprar o jogo. Mas como sou um gamer pobre e tenho muitas contas pra pagar, tive de deixar quieto. Quando surgia uma promoção num site de e-commerce qualquer eu ficara salivando: ah, como queria comprar o Killzone, mesmo sabendo que poderia ficar enjoado jogando! Eu ficava assim, desejando o jogo. Queria que o jogo chegasse também na locadora, pra poder alugar e testar num final de semana pra saber se valeria a compra. Mas isso nunca aconteceu.

Os meses foram passando e a oportunidade apareceu no MSN, onde o Elias Rodrigues me perguntou se eu estaria interessado em alguns games. Um deles era o Killzone 2 e com isso eu negociei com ele e comprei. Foi a minha segunda compra de games usados (a primeira foi com o Dori Prata, comprando o Final Fantasy XII), e acredite: valeu muito a pena. Nos parágrafos abaixo comentarei a experiência magnífica desse que será um marco dos FPS que já joguei. Eu dividi a análise em 2 partes, pra separar o single player do multi-player, que merece ser analisado separadamente e onde irei destrinchar por completo os modos de multi-jogador. Como os meus textos às vezes são enormes, então optei pela divisão, o que também facilita o meu trabalho e o de você, que poderá ler aos poucos esta que será uma das maiores análises que já fiz nos meus 2 anos de experiência com blogs. Ah, um aviso primordial: tacarei alguns spoilers no texto, mas nada que comprometa a diversão de quem ainda irá jogar.
Killzone 2 é um shooter clássico em primeira pessoa. Não vi até onde joguei inovações em sua mecânica de jogo e muitos FPS anteriores podem ter sido usado como base pra sua jogabilidade. O single-player é linear e tem os acontecimentos acontecendo rapidamente, o que torna este um dos jogos com maior ação que já presenciei. É tiro pra todo lado a maior parte do tempo. Você está no meio de uma guerra contra a facção Helghast, onde temos humanos que usam máscaras e elas não são removidas. O único que não usa é o Visari, o ditador que comanda o exército.

O jogo usa elementos de narrativa a lá Call of Duty. O problema é que eu nunca joguei o Call of Duty, e por isso eu tenho de presumir que nos dois Modern Warfare tem momentos memoráveis que fazem aparecer um sorriso no rosto. Percebi isso em Killzone. Há muitos momentos intensos, impressionantes. Batalhas contra chefes memoráveis, contra inimigos formidáveis, com acontecimentos impressionantes (como um desabamento de um prédio logo na primeira missão). Apesar de que na maioria das vezes você enfrentar Helghasts, alguns deles são especiais. Uns vão até você com facas e sem medo da morte, outros carregam snipers e um vacilo pode ser fatal. Na maior parte das vezes você tem um amigo do seu esquadrão te ajudando, mas é você que define os rumos da narrativa. Se você avança eles avançam. Se você fica parado eles ficam parados, mas nem sempre isso acontece e nem sempre você tem de caçar elementos do cenário. Dependendo do local você tem de avançar, já que se isso não acontecer as coisas podem ficar feias.
O enredo não é tão denso quanto um Metal Gear Solid, mas pelo menos dá pra entender, por ter a opção de jogar em português de Portugal (só com legendas e tradução dos menus). Facilita um bocado pra quem não tem tantos conhecimentos em inglês, apesar de você às vezes não conseguir acompanhar todos os diálogos. Em algumas cenas os NPCs falam ao mesmo tempo e fica complicado ler sendo que a ação acontece na sua TV. Ou você lê ou assiste. Preferi algumas vezes assistir mesmo.

Da sua mecânica de jogo, temos o básico: uma arma maior (normalmente um rifle ou uma metralhadora), uma menor (uma pistola com munição infinita, mas com apenas 6 balas em cada pente), granadas esporádicas e a possibilidade de você correr apertando um dos direcionais analógicos (eu disse apertar, e não mover para uma direção). Quadrado recarrega o pente, e isso é um recurso essencial. Como você não sabe qual será o próximo tiroteio, é sempre bom recarregar direto a arma nos momentos mais calmos, pra você não ter de recarregar no meio dos combates e se ferrar com isso. Triângulo troca de arma, mas isso é pouco usado: na maior parte do tempo você vai usar rifles e pode ir trocando eles durante a fase, pegando outras armas (mas nunca carregando mais de uma), como espingardas e um lança-foguetes, com apenas 3 tiros.
Da parte da jogabilidade, ela é excelente. É claro que estou jogando nas últimas semanas, bem depois da atualização do High Precision, que deve ter melhorado bem a mira. É claro que o Dual Shock/Sixaxis não é o controle ideal pra jogos de tiro, mas dá pro gasto e você acaba se adaptando ao controle. O joystick ainda não vence a combinação teclado e mouse, mas isso não compromete a diversão, mesmo alguns jogadores não querendo comprar por causa disso. Eles não sabem o que estão perdendo.

Graficamente temos o segundo jogo mais impressionante que eu cheguei a presenciar, perdendo apenas pro Uncharted 2 (que comecei a jogar esta semana) e superando até mesmo o Metal Gear Solid 4. Talvez o único ponto que a Konami ganha é na modelagem de personagens, captura de movimentos labiais e nas expressões dos personagens nas animações não-interativas (cinematics).  Por estar numa guerra você tem cenários bastante destrutíveis e muita fumaça ao redor. Você tem a primeira missão, no Rio Corinth, e a água do rio impressiona, tanto como no Uncharted. Obviamente não cheguei a ficar atirando nela pra ver os efeitos, mas só de ver já te deixa impressionado. É claro que o que vem na cabeça é no primeiro vídeo apresentado, mostrando o suposto poder do Playstation 3:
Kikizo Direct Feed E3


Obviamente depois de um tempo a Guerilla afirmou que o vídeo era puramente CG. O jogo não chega nesse nível, mas está bem próximo. Os modelos dos personagens são convincentes, mas poderiam ter sido melhor trabalhados. Já os Helghasts são praticamente iguais, só mudando um pouco a aparência, dependendo da patente. A única coisa que não muda são as suas máscaras e seus olhos vermelhos, mas durante a ação do jogo você nem percebe isso.
Da parte dos cenários, aí sim temos o poder descomunal dos consoles da geração atual. São poucas fases, mas as mesmas são grandes e suas texturas são bem detalhadas. É até melancólico ver apenas destruição pra todo lado, mas isso faz parte do enredo. Você não está em cenários limpinhos, e sim no meio de uma guerra. O trabalho que eles fizeram é realmente de impressionar, mesmo a ação do jogo não deixando você apreciar a beleza dos cenários. É claro que eu gostei mais das primeiras fases e do ambiente urbano, mas é mais uma questão de gosto mesmo.
Os efeitos sonoros também estão muito bons, com os tiros e dublagem. A música de fundo ajuda a manter a imersão, apesar dela ser inexistente no multiplayer, com temas épicos e baseados em guerras. Eles também colocaram “distância” nos sons, onde uma granada de longe tem um som distante e perto tem um som ensurdecedor. Em equipamentos melhores como o Home Theater esse jogo deve realmente impressionar. Só não posso avaliar melhor por estar numa TV comum.

Por ser um FPS, o jogo possui um nível de dificuldade relativamente alto, mas não tão alto que possa fazer você desistir. Só nas partes avançadas você verá que tem momentos difíceis, mas você irá conseguir passar. Se o jogo fosse fácil não terá graça, mas se fosse extremamente difícil perderia também a graça. É claro que o nível de dificuldade Elite deve ser realmente difícil, mas ainda não comecei a jogar, por estar direto no multiplayer.
Da parte de troféus, com os troféus dos mapas extras de multiplayer, este é o segundo jogo com mais troféus do Playstation 3, com 84 troféus. Perde apenas pro Burnout Paradise, que tem 98, o que dá uma longevidade impressionante ao jogo. Killzone 2 você consegue pelo menos 10 horas a 12 horas de single-player que podem aumentar se você re-zerar pra tentar coletar os troféus. No multiplayer, já tenho 50 horas e ainda to longe de conseguir completar tudo que é possível. Eles conseguiram criar um multiplayer bastante competitivo e que não enjoa, mas isso é assunto pro próximo post.
Pra terminar Killzone 2 é um excelente jogo. Pra mim já é o melhor FPS, já que ainda não joguei os Modern Warfare, e sua ambientação + multiplayer me cativaram bastante. Se você gosta de FPS e tem o Playstation 3 (este é exclusivo pro console) vale muito a pena comprar. Me surpreendi com o jogo e já estou esperando o terceiro, que deve ser anunciado ainda este ano e que promete ser 100% destrutível. Se tiver mais ação que o segundo, com certeza será um game a se ficar de olho nos próximos meses. A Guerilla e a Sony estão de parabéns com este trabalho excepcional do mundo dos games.