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Análise – Metro Last Light

Metro Last Light - Logo HD

Primeiro, a promessa, depois a dívida. Metro Last Light prometia ser um jogo com ação, terror, história e russos. Depois de rodar pelo submundo de Moscou, literalmente, descobri muitas coisas que uma Rússia pós-apocalítica pode ser. Se você está esperando ver gente bêbada, coisas estranhas, mulheres de pouca roupa, vodka e péssimos motoristas só porque estamos na Rússia, você não vai se decepcionar. Abra sua melhor bebida e aprecie sem moderação este review sobre Metro Last Light e sua Mãe Rússia irreconhecível.

Ficha Técnica
Produção Deep Silver
Desenvolvimento 4A Games
Lançamento 14/05/2013 (EUA) e 17/05/2013 (Europa), 10/09/2013 (OSX), 05/11/2013 (Linux)
Plataformas PC, OSX, Linux, Xbox 360, PlayStation 3
Classificação Mature 17+ (ESRB), PEGI 18 (Europa)
Música/Compositores Alexey Omelchuk
Gênero FPS – First Person Shooter – Tiro em Primeira Pessoa
Descrição Jogo de terror que quer mexer com sua cabeça tanto quanto um litro da mais pura vodka russa.
Online Sim

“Não esqueceis o passado, pois dele virão os melhores easter eggs” – Platão, refletindo sobre a história
Metro Last Light é a continuação direta de Metro 2033, um FPS com toques de terror ambientado numa Rússia pós-apocalítica. A série Metro se baseia no livro “Metro 2033” de Dmitriy Glukhovskiy, que conta a história de sobreviventes de uma guerra nuclear que ocorre em 2013. Ambientado nos metrôs de Moscou, a série Metro trouxe muitas coisas legais em seu primeiro game e quase tudo foi refinado para o segundo.
Em Last Light você já começa com terror na cara. Temos monstros, efeitos legais de “sumiço”, o padrão para te chamar a atenção. A história conta a viagem de Artyom (o mesmo protagonista de 2033) através das várias cidades que se formaram no metrô de Moscou. No início, você será encarregado de matar o último dos Dark Ones, uma espécie de mostro com poderes psíquicos. Logo no começo, algumas teorias são levantadas, como os Dark Ones serem a evolução dos humanos e tudo mais.

Como já é de se esperar, após uma guerra nuclear vem os seres alterados que comumente chamamos de monstros. Em Last Light, eles estão por toda a parte, desde pequenos seres inofensivos, à cães e pássaros mutantes, passando por lagostas-assassinas-from-hell. O destaque fica para os Dark Ones, onde boa parte da trama gira em torno deles, ou melhor, dele, já que só há um único remanescente da espécie.
As cidades que ficam no metrô são bastante legais de serem visitadas, e parecem realmente “pós-apocalíticas.” Passear por elas e escutar a conversa das pessoas é interessante para se situar. Além disso, algumas cidades dispõem de atrações, sendo as mais legais o teatro (sim, eu fiquei até o fim do espetáculo, uns vinte minutos bem gastos) e o cabaré, onde é possível pagar (e caro) por uma dança de colo com uma dançarina de topless. Tarados de plantão: a dança é legal, mas nada de deixar o controle/mouse/teclado grudento, ok?
“Stealth ou não stealth, eis a questão” – Shakespeare, a respeito do gameplay
Em termos de jogabilidade e mecânica, Last Light não inova em nada que seu antecessor já não tenha apresentado. O pavor de ter que usar uma máscara de gás em certos momentos está lá, junto com a troca do filtro. Essa mascará é necessária em certas áreas subterrâneas invadidas pela radiação ou quando estamos acima do metrô. Uma coisa legal é que enquanto você está usando a máscara, o ambiente pode te sacanear e sujar ela de várias maneiras, fazendo com que o jogador tenha que limpá-la. Nada novo, mas é uma coisa legal. Outra coisa que vale ser citada, é que a máscara pode ser quebrada, conforme você toma dano. Isso já existia em 2033, mas uma coisa nova eu notei: em certos momentos, se você está há muito tempo de máscara, ela começa a suar por dentro, dando uma agonia extra ao jogador.
O jogo apresenta um modo stealth não declarado. Quero dizer, ele existe, mas não é obrigatório. Para entrar em modo stealth (ou seja, os inimigos não te veem, o que possibilita facadas ou mortes silenciosas) basta se esconder nas sombras. Só isso. Não parece fazer diferença se você está de pé ou não, estando nas sombras já é o suficiente. Um relógio no seu pulso lhe informa quando você não está sendo visto, neste momento é possível praticamente tocar nos inimigos que eles não te notam.

O stealth não inova em nada e eu considero que ele é bastante contra balanceado. Explico: no stealth, você pode chegar por trás de qualquer inimigos e matá-los sem fazer barulho ou gastar munição. Até ai ok. Porém, os silenciadores que tu pode colocar nas armas parecem não afetar o dano delas. Mesmo com uma fraca pistola inicial, a maioria dos inimigos humanos irão cair com um tiro; e estando com as armas pneumáticas (vá jogar e você saberá) silenciadas, é possível matar os tais cães infernais com um único tiro. Isso tira bastante do terror de ter que fugir por falta de munição.
Alias, a munição está bem mais fácil de conseguir do que em 2033, e por muitas vezes deixa de ser uma preocupação. Ainda existe a mecânica da ‘munição especial’ que serve como dinheiro, mas ela parece ter tido seu poder tão reduzido que simplesmente não vale a pena usá-la nunca, guardando sempre pra comprar melhorias pras armas. (já que dá pra facilmente achar munição pelos caminhos) Quanto ao sistema de upgrade dar armas, ele é simples, mas limpinho, entregando um sistema de customização que funciona bem.

 

“Tão belo quanto um ser canino succionando um fruto de mangifera” – Aristóteles, sobre o visual
Last Light entrega bonitos gráficos, mas não há nada de novo para se ver, se é que você me entende. Na versão de PC, existe um serrilhado aqui ou ali, mas são poucos e em nada estragam o jogo. Mesmo nas configurações mais avançadas, não parece haver uma qualidade gráfica como em Battlefield 3, por exemplo. Um detalhe que realmente chama a atenção são as “atuações” dos NPC’s. Tudo parece muito travado, “engrenoso” (essa palavra pode ser criada para descrever a situação) e em nada lembra as atuações que vemos em jogos como Tomb Raider.
Falando em Tomb Raider, neste jogo tivemos problemas com a opção de ativar a tecelagem, que mudava completamente o cabelo da Lara e outros aspectos, deixando o jogo com uma nova cara. Em Last Light também temos essa opção, mas aqui ela não apresentou nenhum problema, apesar de também não ter mostrado resultados muito perceptíveis.

 

“Comprarás somente se o atributo de troca estiver em sobra para com seus deveres financeiros” – Sócrates, expondo sua opinião
Last Light é um jogo honesto, cumprindo muito do que se propõe, apesar de não justificar o hype envolta de si mesmo. Somente duas coisas me deixaram realmente chateados: o autosave, que não é opcional, alias, somente é possível salvar pelo autosave; e a música que toca quando você passa de “escondido” para “sendo visto”, mesmo que você esteja sozinho, ela atrapalha e começa a incomodar depois de um tempo.
Compra recomendada àqueles jogadores que gostam de um bom FPS com uma história bacana. Não há multiplayer e o fator replay, apesar de existir, é bastante brochante, já que a dificuldade máxima, a Ranger, só é obtida ou se comprando o jogo em pré-venda ou se pagando extra por ele.

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