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Assassin’s Creed III – Review

Assassin’s Creed III (PC) — Review

Esqueça tudo que você conhece sobre Assassin’s Creed. Desde Revelations, a série se encontra num constante declínio de tudo que AC1, AC2 e Brotherhood construiram em termos de gameplay, história e complexidade, e com Assassin’s Creed 3, a franquia chega ao ápice – ou melhor, ao fundo do poço. Assassin’s Creed III é ridiculamente simplificado, com uma trama sem sentido, um final detestável e um gameplay totalmente medíocre. Assassin’s Creed III segue a evolução de todas as franquias que passam por mais de um time criativo e viram vacas gordas de grana: é um lixo.

O jogo se passa, como as anteriores, em 2012. Mas ao contrário dos outros games, o novo time criativo acha “ridícula” a noção de seguir o mesmo personagem por 8 anos, e que os gamers não são capazes de lembrar o que aconteceu no primeiro jogo. Portanto, de acordo com eles, Assassin’s Creed nunca foi sobre Desmond, ou Altaïr ou Ezio, ou assassinatos, ou sobre as Peças do Eden e o fim do mundo – nas palavras do diretor criativo de Assassin’s Creed III , Alex Hutchinson: “Assassin’s Creed é como Star Trek. Você tem uma coisa imutável, e você pode fazer o que quiser com o resto. E ACIII  é 90% um jogo novo, poderíamos chamá-lo de qualquer outra coisa e as pessoas ainda comprariam.” (Fonte – Inglês: http://www.polygon.com/gaming/2012/7/20/3172656/assassins-creed-star-trek-desmond-end)

Com essa visão, os ideais de “Paz em todas as coisas” e o papel filosófico do bem contra o mal e os Assassinos e os Templários sendo dois lados da mesma moeda se perde, e o game se torna um exercício de paciência que demora de 4 a 5 horas e 3 capítulos para te pôr no controle do protagonista histórico de ACIII , e você ainda jogará 4 ou 5 mais para vê-lo se tornar um assassino. Ou melhor, não vê-lo se tornar, mas ver um corte da narrativa que magicamente pula de um Connor novo para um Connor mais velho sem explicar nada no meio.

As faces dos personagens de 2012 continuam deformadas. Menos a de William. Pois ele é novo.

 

A trama histórica do jogo se passa na América Colonial, próxima à Guerra Revolucionária Americana que terminou com a independência dos Estados Unidos do controle inglês. Esqueça os motivos honráveis e os tons de cinza – Assassin’s Creed III  é claramente preto e branco – ou melhor, vermelho, azul e branco. Altair matava tantos Saracenos quanto Europeus durante as cruzadas de modo à enfraquecer a máquina de guerra e trazer paz à região em 1191, Connor só mata Ingleses – nas raras ocasiões em que ele mata um americano, o mesmo é um traidor. O jogo só não trata 100% do tempo os ingleses como seres malignos e cruéis porquê 60% da trama é sem sentido e irrelevante para o jogo – o game segue seu ritmo, lerdo e sem eventos, com missões repetitivas e não excitantes e extremamente lineares. Em uma ocasião, eu tive que conversar com um personagem dentro de uma mansão no campo. No momento que a cutscene acabou, o jogo me deu o objetivo de seguir e ouvir o personagem, mas quando o mesmo deu um passo, o jogo ameaçou dessincronizar e falhar a missão – tudo porquê eu não estava colado no personagem como os produtores queriam, e sim deixei ele andar 2 passos à minha frente enquanto o ouvia claramente. Isso é uma das pequenas decisões criativas que demonstram o caráter por trás do jogo – Ezio tinha uma Hidden Gun que atirava uma bala à cada 2 segundos, porquê Connor usa uma pistola flintlock de época que demora 8 segundos para recarregar? Connor é capaz de usar um Tomahawk, uma espada, uma adaga e suas hidden blades como armas principais, mas as animações do tomahawk e da adaga são exatamente iguais (mesmo sendo armas completamente diferentes, já que um é um machado) e as hidden blades por algum motivo que não compreendo servem também como faca, no final te dando duas escolhas efetivas de combate: espada ou tomahawk/adaga. As batalhas navais são interessantes e divertidas embora um pouco repetitivas, e o fato de que batalhas navais são o melhor aspecto em um jogo sobre assassinatos deveria tocar um alarme.

Os controles foram desnecessariamente simplificados, claramente seguindo o pensamento de que jogadores são estúpidos e casuais (mesmo pensamento por trás de Hitman Absolution, review por vir) e a genial ideia de cada botão mexer uma parte do corpo foi substituída por 2 botões contextuais — você não precisa mais apertar o botão de mão vazia para deslizar por uma multidão ou segurá-lo enquanto corre para empurrar quem estiver na sua frente – Connor faz o primeiro sozinho e não faz mais o segundo. Falando em correr, você não pode mais andar, correr ou dar sprint e escalar – você corre ou anda, e isso causa muitos problemas quando você está escapando de guardas e, ao tentar virar uma esquina, Connor sobe a dita esquina e fica parado enquanto os soldados atiram nele.

Os mapas, embora grandes, são vazios e sem nada memorável. O design da cidade sofre o mesmo problema de falta de fluidez de Revelations, te impedindo de navegar de uma ponta à outra da cidade pelos telhados como as cidades de AC1, AC2 e Brotherhood. Principalmente a área da fronteira, grande e cheia de animais que te atacam à cada 5 segundos, atrapalhando a navegação, te forcando à cavalgar para chegar aos seus objetivos – algo que seria divertido se o controle equino não fosse horrendo e os cavalos não se recusassem a correr por mais que 5 segundos.

Correr a pé nas partes com neve é insuportável, já que sua velocidade é diminuída pela metade, e o novo parkour em árvores é vítima do mesmo erro que Revelations fez com suas Ziplines – são impráticas. As árvores dificilmente apresentam um caminho bom à seu alvo, forçando o a sair do seu caminho para usá-las e a correr em círculos até achar o lugar certo para escalá-las, e quando você consegue usá-las direito, elas apresentam um caminho linear que não oferece liberdade, consistindo simplesmente em segurar para frente e o botão de correr.

Mas as animações de corrida não são tão ruins.

 

O combate foi piorado pela remoção do sistema de trava nos oponentes, fazendo me errar o alvo que eu queria principalmente em assassinatos porquê o jogo escolhia por mim, e facilitado pelo fato de que quando alguém te ataca um gigante ícone vermelho pisca em cima da cabeça de tal inimigo. O fantástico sistema de combate de Brotherhood, que na minha opinião foi o melhor da série, novamente não volta, e os combo kills duplos são feitos não quando você quer mas quando dois guardas te atacam ao mesmo tempo.

Connor em si é um personagem extremamente medíocre, e ao contrário do Altaïr taciturno e sério, Connor é simplesmente entediante. Seu ator de voz lembra a voz de Altaïr em Revelations (O HORROR) e as falas em índio são claramente feitas por outra pessoa. O background indiano de Connor não é charmoso como o de Ezio e não oferece desculpa suficiente para que ele vire Assassino, já que ele luta pela sua tribo e não pelo bem maior. Embora tente parecer neutro, AC3 é extremamente parcial e fruto de uma equipe de desenvolvedores sem criatividade, que se rendem às massas e assim como o filme “O Patriota” de Mel Gibson, pinta os britânicos como seres mal e cruéis, que querem só o mal – o jogo tem zero exposição histórica sobre os eventos que levaram à independência americana, e a única desculpa para a famosa Festa do Chá de Boston é “temos que ir contra esses ingleses cruéis!”. Sério. O jogo envolve matar britânicos, assassinar britânicos, roubar comboios britânicos, matar generais britânicos e capturar fortes britânicos. O esforço de parcialidade vai tão longe que a tradição milenar dos Assassinos de usar Branco e Vermelho é mudada sem motivo, e TODOS os Assassinos do jogo tem como cor principal o Branco e o Azul, sem explicação – claramente um esforço por parte da Ubisoft de marcar os mocinhos como azuis como os Vira-Casaca americanos e impedi-los de usar o vermelho das tropas coloniais inglesas.

”Sou tão imparcial que uso as mesmas cores e ando de mão dadas com os Americanos.” – Connor

No geral, você tem menos impacto na história de verdade do que nos games anteriores (a reconstrução de Roma em Brotherhood, a Conspiração Pazzi e a Fogueira das Vaidades entre outras coisas em AC2, e o fim da Terceira Cruzada e do cerco de Masyaf em AC1 sendo eventos cruciais para a história) e passa a maior parte do tempo sem muito sentido na vida (ou no game). A declaração de independência é assinada sem muita importância, com Connor conversando no fundo com outro personagem — o assassinato falho de Washington e a morte de um general inglês são os dois eventos neste jogo de 18 (maçantes) horas que Connor TALVEZ tenha feito uma diferença que ninguém mais poderia fazer. Até a história de Desmond é ridiculamente sem sentido, com um final absurdo à lá Mass Effect 3. Desmond não tinha desculpa para estar no Animus desta vez – seu treinamento através de Ezio terminado em Brotehrhood e as Peças do Eden localizadas através de Altaïr – o jogo simplesmente joga Desmond no Animus com uma desculpa esfarrapada e ele passa 99% do jogo lá. Tão mal pensada a parte de 2102 é que uma das falas de Rebecca, criadora do Animus que os Assassinos usam desde AC2 e muito superior ao Animus templário de AC1, diz que ela baixou um update do Animus e ele causa as mudanças de interface que vemos em AC3 – como alguém baixa um update para algo que ela mesmo fez e só ela conhece e trabalha eu não tenho idéia.

Assassin’s Creed III é uma ofensa à franquia – se a sua ideia de um Assassin’s Creed bom é GTA na América Colonial, AC3 é o jogo para você. Se você tem um pingo de discernimento e alguma vez se interessou nas nuances e complexidade do mundo de tons de cinza criado em AC1 e levado até Brotherhood, fique bem longe deste jogo. Assassin’s Creed III é uma perda de tempo, dinheiro e paciência para qualquer fã da franquia.

 

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