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Cronicas de um Gamer Ranzinza – E o tempo em que o Multiplayer era real…

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Se tem uma coisa que eu não gosto hoje em dia em games é o Multiplayer, é tão impessoal, é tão cheio de jovens que usam cheats ou que simplesmente apelam para ganhar. Já tentei jogar partidas em que o ser que estava do outro lado, ao se ver em um situação de derrota, simplesmente derrubou sua própria conexão. Ou uma vez que fui jogar Uncharted On-line em um Coop, e o cara que entrou simplesmente ficava ali parado, sem fazer nada, e quando eu fui tentar tirar ele da sala, o único jeito foi derrubar a partida, eu ainda fui punido pelo jogo por isso.

Por isso que eu lembro com saudosismo do tempo que o Multiplayer era real, você via a pessoa que estava do seu lado, você sabia quem era, e tinha uma competição honesta. E também é dessa saudade que eu lembro do meu ambiente preferido em minha adolescência, era um lugar escuro, com baixa luminosidade e com um som bem característico.

Ainda me lembro do época em que cresci entre Jacarezinho/PR e Ourinhos/SP, cidades próximas, morava no Paraná e estudava no Estado de São Paulo, e frequentava os fliperamas de ambas. Para ser mais exato eu frequentava o circuito, a contra-gosto do meu pai, de Jacarezinho, onde tinha duas casas de Fliperama, e dois bares com arcades. Acabei me tornando bem conhecido nestes lugares.

Realmente essa a parte engraçada, você estar jogando um jogo com coop, como Punisher e chegar alguém ao seu lado e perguntar se podia entrar junto. O ambiente parecia insalubre, por ser escuro, barulhento e frequentado por tipinhos estranhos, mas na verdade era um dos ambientes mais cordiais, honesto e educado que eu conheci.

Havia respeito, ninguém chegava em um jogo de luta para tirar um contra com você sem antes perguntar se podia, se você não estava jogando para terminar, e o pessoal já se conhecia para nivelar que tipo de jogo iria usar, se ia apelação ou não. Um dos fliperamas que eu ia, recebeu certa vez uma maquina de Street Fighter Alpha 2, se não me engano, e se você terminasse o jogo com qualquer lutador, a maquina liberava um card de coleção de Street Fighter, ninguém entrava contra nessa maquina, a não ser que fosse pré-acordado, porque todos sabiam que se você estava ali era para conseguir o card.

Havia uma certa hierarquia de quem era melhor e não, haviam campeonatos, e havia a sinfônia de sons que eram gerados, era o barulho da moeda caindo, era o barulho dos poderes e dos jogos. Era realmente delicioso você apenas parar do lado de alguém jogando uma maquina e apreciar a habilidade dele no jogo e como ele reagia as situações do jogo.

E a camaradagem que existia era única, as vezes alguém simplesmente chegava e pedia “um round” e você simplesmente deixava, não tinha aquele egoísmo que existe hoje. Ou ouvia as dicas daqueles que já tinha dominado aquela máquina, ou quando a galera se juntava para chegar a um objetivo único, zerar uma maquina.

Eu falo com saudosismo pois vivi essa época, fez parte da minha juventude e da minha história de videogames e que me deixou com ótimas memórias. Era uma época em que jogos de console tinha gráficos mais simples, computador ainda não era essa potência para jogos, então o Arcade era onde os melhores jogos, os melhores gráficos, as melhores trilhas, era onde estava a inovação.

Sem contar no desafio que proporcionava, você ter apenas um crédito e ver aonde você conseguia chegar, derrotar algum chefe, ou mesmo dominar o arcade. Não era para qualquer um, pois os jogos era colocados em dificuldades altas, eles não queria que você chegasse lá e com um crédito apenas terminasse o jogo, ele tinha que ser dificil, então dominar o mesmo era uma arte.

Por isso eu digo que Amo os Arcades e digo que este multiplayer de hoje não chega perto disso!

E enquanto eu escrevia essa crônica, me relembrava dessas coisas, encontrei esse vídeo e fiquei ouvindo ele um tempão, se você é dessa época, e viveu isso também, então feche os olhos e ouça e relembre esse mundo.

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