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Falece Satoru Iwata, presidente da Nintendo

Satoru Iwata - Wii U

Ontem a Nintendo anunciou a morte de Satoru Iwata, presidente da Nintendo, decorrido de um câncer no ducto biliar. Inicialmente cheguei duvidar da notícia, pois poderia ser um hacker pregando uma peça e ter inserido o documento de anúncio no site deles, mas depois percebi que era verdade =(

Satoru Iwata tinha 55 anos, e este ano tinha optado por não ir na E3 2015, e o vídeo de apresentação da Nintendo (que normalmente tinha o presidente comentando) chegou a ter fantoches no lugar. A gente poderia xingar a Nintendo e seu Wii-U, a gente poderia xingar as opções dela de ter consoles travados por região. Mas ela sempre foi boa em explorar os memes diversos que hoje surgem nas apresentações.

E, o mais importante, foi a Nintendo que popularizou os videogames.

Pode-se dizer que só estou escrevendo esta texto (e tendo este blog) por conta da minha mãe ter arrumado um Super Nintendo de diversão no lugar de uma bicicleta na época (acho que ela tinha medo de me machucar em uma), de ter só jogado “Super Mario World” quando não tinha nada pra fazer. E sempre jogava do começo, tentando ir até onde dava, por conta do cartucho na época ser pirata.

Bons tempos onde a diversão prevalecia mais em primeiro lugar. Uma diversão que a Nintendo sabia fazer de melhor.

Hoje, enquanto a gente conta num jogo pontos de anti-aliasing, texturas inseridas fora do lugar e inúmeros bugs em jogos mais complexos, a Nintendo vinha com simplicidade. A simplicidade de suas franquias maiores, que ainda cativam e que incentivam os jogadores a comprar os seus consoles. Eu comprei um PS4, mas de vez em quando a minha mãe reclama: “não tem jogo do Mario pra jogar”. Opções que a gente acabou fazendo, mas é inegável que a popularidade de seu principal herói transformou os videogames na potência que ele é hoje.

A indústria teceu diversas homenagens e lamentou a morte de Iwata. Concorrência existe, mas hoje a indústria está cada vez mais ligada aos acontecimentos ao redor. E todos sabem que a Nintendo, de certa forma, é um dos pais dos videogames modernos. Sim, teve o Atari, o Jaguar, os consoles antigos, o MSX, etc etc etc.

Mas foi no Nintendinho e no Super Nintendo que, certamente, foi a porta de entrada de muitos na indústria. Primeiro como jogador, se divertindo descompromissadamente nas horas vagas. Depois como jornalista, executivo, desenvolvedor.

O Fábio Santana postou no Facebook diversos trechos da vida de Iwata. Trabalhos que a gente nem conhecia direito, sendo que ele entrou na Nintendo em 1983 e ajudou a criar diversos jogos, como Balloon Fight, EarthBound e Kirby. Tornou-se presidente do estúdio em 1993 e em 2002 assumiu a presidência da Nintendo, se tornando o quarto presidente da empresa, e o primeiro fora da família Yamauchi (vale lembrar que a Nintendo foi fundada em 1889).

Com ele na presidência a empresa veio com um console matador e bem vendido (o Nintendo Wii), uma estratégia vencedora com os portáteis (primeiro com o DS e depois com o 3DS) e depois veio o Wii-U e por conta de ter optado pela usabilidade, acabou sendo um console com poucos jogos de ponta, e a indústria começou a optar por deixar ele de lado, por conta do Xbox One e do PS4 serem mais potentes tecnicamente. Mas a Nintendo ainda confiava no console e tem marcas poderosas que ajudavam a vender os consoles, mas com a concorrência mais pesada hoje, estava tendo problemas e virou o console menos vendido das 3 empresas first-party até o momento.

Também tinha planos de investir nos smartphones, uma área em franca ascensão e fortíssima no Japão, com modelos potentes e acessíveis e internet de ponta.

Citando novamente o Fabão:

Iwata valorizava o legado de Yamauchi (falecido em 2013), de que a Nintendo era uma empresa de entretenimento, não necessariamente ou especificamente de videogames, e de que o diferencial da empresa era criar coisas que as outras não estavam criando. Mas injetou sua própria personalidade no comando da empresa, como nas sempre fascinantes sessões Iwata Asks, em que o executivo entrevistava os criadores de novos jogos — herança de sua formação profissional –, ou nas apresentações do Nintendo Direct, em que a empresa se comunica direto com o consumidor de maneira personalíssima.

Isso fazia, e ainda faz, uma enorme diferença.

O engenheiro Genyo Takeda (na Nintendo desde 1972, gerente geral da Integrated Research Division desde 1981, criador de Punch-Out! e Star Tropics e um dos líderes na criação do Wii) e Shigeru Miyamoto (pai do Mario) assumem as funções interinamente.

Chega a ser uma incógnita saber como será a Nintendo daqui pra frente. Não sei se o Miyamoto iria assumir a presidência da empresa, talvez por conta de ter mais perfil de empreendedor, mas acho que podem acabar chamando outra pessoa. Essa notícia veio como uma bomba por conta de Iwata e da Nintendo terem escondido isso muito bem do público, mas ao ler alguns relatos de amigos ontem nas redes sociais, alguns comentavam que ele estava mais magro do que o costume, mas conseguiu trabalhar mesmo nestas condições, mostrando que ele gostava muito disso.

Fica a constatação de que amadurecer como indústria significa também passar pela dor da partida daqueles que trabalharam por esse crescimento.

Ele fará falta na indústria dos games. =(

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