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Ficção Real 03 – More than you can chew.

Sábado, 23:30
Fui escalado para uma missão no próximo final de semana e, como um bom escoteiro, resolvi que deveria estar preparado. Hoje eu entro em batalha para testar meu equipamento e configurar pequenas coisas como a sensibilidade e volume do aparelho de comunicação bluetooth (Soldados e seus brinquedos).
Não preciso procurar qual front devo adentrar pois, rapidamente, descubro o campo de batalha se encontram os meus irmãos de guerra, é obvio que vou pra lá.
Estou enferrujado, faz tempo que passei pelo treinamento e as coisas demoram para engatar no meu cerébro. Porém meus amigos contam comigo. Este elo que remonta de nossa cidade natal, Paradise City, é apenas reforçado na guerra onde até mesmo esquecemos a nossa busca por medalhas (e troféus).
Entre nós existem tantas condecorações que, se chover em Helghan, um raio vai cair com certeza no nosso esquadrão com o peito cheio de metal. O líder de esquadrão Flausino conta com o apoio de Tango e Leodahas para ganhar mais uma menção e, se tudo der certo, vamos ajudar.
No meio de todo esse caos, fomos abrindo nosso caminho e garantido que a cada conflito um membro do [sgbr] estivesse no topo da vitória. Porém, em Visari Hammer, a glória iria cobrar seu preço.
Nosso esquadrão era alvo constante de tentativas de assassinato, O líder nem bem tinha voltado do hospital quando Tango teve um alvo pintado em suas costas. Ao descobrir dos planos inimigos, recuei do front de ataque, correndo entre alguns soldados rivais que estavam tentando quebrar a nossa linha de defesa.
Eis que encontro Tango, se recusando a ceder a sua vida antes de uma boa luta, sozinho em um corredor. Não tive nem tempo de sorrir. Abri fogo contra um invasor que olhava para Tango com um sorriso enorme, porém esse homem não sabia que Tango merecia seu posto e, foi morto pelo seu alvo de assassinato.
Comecei a rir, Tango não era uma menina indefesa e, se seus inimigos queriam sua cabeça, nós iríamos dar trabalho. Aos poucos chegavam mais inimigos e, ocasionalmente, alguém do nosso time resolvia que deveria ajudar. Eu corria freneticamente as escadas tentando limpar os inimigos que estavam chegando. Mas os ataques estavam cada vez mais fortes, mais inimigos chegando de uma vez, enquanto o suporte era mais escasso.
Ao olhar para o radar, percebo que existe mais um membro do nosso batalhão protegendo o Tango. 2 inimigos se aproximam da entrada que eles estão cobrindo, e 4 cercando a parte superior onde me encontro. A morte chegou em nossa porta e não havia nada que eu possa fazer, a não ser prolongar o inevitável.
Jogo uma granada no final do corredor e acerto em cheio os 2 primeiros invasores, disparo a esmo tentando evitar a entrada dos próximos. Não tenho tempo para olhar no radar, mas sei que a essa altura novos reforços chegaram para engrossar o ataque inimigo, definitavemente havia um ponto de spawn por perto. Tango ainda deve estar vivo e batalhando na sala abaixo pois não escuto o grito de vitória inimigo.
Apenas mais um tempinho, era tudo que eu tinha esperança de conseguir. Entra um grupo de inimigos, o primeiro eu derrubo com um tiro na cabeça e meu spray de balas leva o segundo junto, não tive tanta sorte com o restante. A escuridão toma conta e, ao acordar, chamo pelo Tango no comunicador: “Tango? Você está vivo?”. Silêncio.
Honestamente, não sabia de quem tinha sido a vitória naquele dia. Não tive tempo de olhar no radar e, entre as balas e explosões de granadas, não conseguia escutar a comunicação de avisos.
Eis que chega um mensageiro, com roupagem estranha, com uma carta de Tango dizendo: “Meu comunicador foi atingido… estou bem”. Quando nos encontramos, avisto uma “ribbon” de sobrevivente em seu peito e um braço engessado.
Não somos heróis, caímos no campo de batalha. Mas não houve vitória moral para o inimigo pois, o tempo e esforço necessário para nos derrubar foi mais amargo que poderia ser imaginado. Eles morderam, mas não conseguiam mastigar um osso duro de roer.

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