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Análise – Gears of War: Judgment

Gears of War Judgment Boxart

Pegar uma série consagrada e criar uma continuação, mesmo que ela seja na verdade um prólogo, nunca é fácil. A People Can Fly recebeu da Microsoft essa tarefa e posso dizer que o resultado surpreendeu. Apesar de ser um jogo que segue muito das raízes da série, Gears of War: Judgment conseguiu consertar alguns problemas da campanha e melhorar e encurtar o multiplayer, que continua muito divertido. Mas vale a pena comprar Judgment se eu tenho Gears 3? Acompanhe comigo no nosso review.

Ficha Técnica
Produção Epic Games e Microsoft Studios
Desenvolvimento People Can Fly
Lançamento 19/03/2013 (BR e EUA), 22/03/2013 (EU)
Plataformas Xbox 360
Classificação 18+ (BR e EUA)
Música/Compositores Steve Jablonsky e Jacob Shea
Gênero Tiro em terceira pessoa
Descrição Prólogo da consagrada série, conta a história por trás do primeiro game. Mantém estilo, mas foca mais em ação. Multiplayer, apesar de reduzido, muito bem acabado. Localização impecável.
Online Sim

Gears of War Judgment, exclusivo para Xbox 360, é na verdade um prólogo da série e conta a história por trás de Baird, Cole, Sofia e Paduk. A primeira coisa a se notar é o modo como a história é contada. Até então, tínhamos Marcus contando a história enquanto ela se desenrolava, mas Judgment muda completamente este paradigma, ao colocar Baird e os outros sendo julgados por desobediência, enquanto a história é contada em forma de memórias dos julgados. Ao se jogar com um dos personagens, vê-se o ponto de vista dele, e o que ele pensa sobre o acontecido. Esse sistema ficou muito legal, pois conhecemos todos da equipe e começamos a nos acostumar aos poucos com as peculiaridades, como o humor do Cole, a vida ‘certinha’ de Sofia ou o ‘caipirismo’ de Paduk.
Esse novo jeito de contar a história trás um ritmo muito maior a história se comparado com Gears of War 3, onde tínhamos que ficar andando de um lado para outro procurando a saída e o próximo ponto de combate. Em Judgment as coisas funcionam como capítulos, sendo feitos um a um. Você entra num capítulo, se esconde, atira, se esconde de novo, toca uma granada, serra algo ou alguém ao meio e pronto, capítulo concluído, é só ir pra saída e se preparar para o próximo. Existem sim várias cutscenes, mas mesmo elas parecem não interromper o ritmo do jogo, que parece querer que você não largue o controle por mais de um minuto entre as missões. O final é um pouco fraco em termos de grandiosidade, mas a missão final é mais difícil que a parte final de Gears 3, o que é bom.

Foi incluído também uma extensão da campanha chamado de Aftermatch. Este pedaço, que é jogado separado, se passa em paralelo com a história de Gears of War 3, e conta como Baird e Cole conseguiram se reunir com Marcus no fim do jogo. Apesar de ser uma história curta, ela lembra muito mais Gears 3 do que Judgment, pois as caminhadas e buscas, mesmo que em menor número, estão presentes. Isso não torna o modo menos divertido e a recomendação é que ele seja jogado para entender um pouco melhor a história e matar mais alguns Locusts e Lamberts.
Há também o sistema de estrelas que você ganha ao completar uma missão. É possível ganhar até três estrelas, dependendo das suas ações no combate. Tal qual Angry Birds, quanto mais headshots, execuções e mortes bonitas fizer, mais pontos você ganha, o que rende mais estrelas. E aqui encontramos outro fator bacana do jogo. No início de cada missão, você poderá desconfidencializar (de acordo com a legenda em português) ela. A desconfidencialização (não, eles não acharam nenhuma palavra mais complicada que essa) seria a versão ‘real’ do acontecido e não o que está no relatório militar. Por exemplo, em uma determinada missão você terá que usar apenas um tipo de arma, ou ela terá tempo, ou quem sabe uma fumaça interminável vai atrapalhar sua visão. Felizmente elas não são obrigatórias, porque muitas delas são bacanas de se fazer, como as que te deixam usar apenas uma arma, mas as com tempo são bastante chatas e frustrantes.

A busca as dog tags estão de volta de um modo um pouquinho facilitado, porque você sabe que cada missão tem uma delas, então a busca fica mais fácil. O que não facilitou foi a inteligencia artificial. Usando a dificuldade difícil como exemplo, a IA muitas vezes demorava a atirar nos inimigos, por mais próximos que eles estivessem. Mas o que realmente incomoda é a demora quando você precisa ser revivido. Os personagens chegam perto de você (se você estiver longe deles, torça pra dar tempo deles chegarem) e ficam ali, rodando um tempo, pensando na vida, até resolver te levantar. Não chega a ser um tempo muito longo, mas incomoda. Imagino que isso deva ser assim pra dar a chance de você reviver seus companheiros, já que o mesmo ocorre nessa situação, mas o tempo podia ser menor quando é você que está no chão, ferido.
O multiplayer de Judgment continua excelente à espelho de Gears 3. Mas várias mudanças ocorreram. A mais notável é a ausência de várias modos, o que é facilmente suprida pelo novo modo Invasão, onde em um turno você é um CGO (os humanos da parada), defendendo uma série de tuneis e geradores, e no outro você é um Locust (os monstros do barulho), tentando invadir e destruir tudo. O bacana é que cada raça tem suas peculiaridades. Como CGO você tem a disposição quatro classes representadas pelos personagens principais da campanha, onde deve haver uma combinação entre elas para se chegar a vitória, que é mais complicada quando se é humano. Já os Locust funcionam diferente. No início você tem quatro ‘tipos’ de Locust a disposição e conforme se ganha pontos matando ou cumprindo objetivos, você pode usar esses pontos para ter acesso a outros quatro tipos de Locust, obviamente mais poderosos. A mecânica do modo é simples e garante diversão por muito tempo, apesar de as vezes ser um pouco frustrante ser CGO, pois os Locust tem mais opções a disposição e revivem mais rapidamente.

Para aqueles que nunca jogaram um Gears of War antes, talvez Judgment seja a melhor pedida, pois os controles continuam bons como sempre, a mira lenta como sempre, mas os movimentos parecem um pouco mais fluídos. O sistema de missões é o principal atrativo para novatos, pois parece que o jogo não enrola, parte logo pra ação, mesmo quando está contando a história. A dublagem e a legenda vem totalmente localizadas na versão brasileira. Aliás, a dublagem está de parabéns, não somente pelo ótimo trabalho dos dubladores, mas também pelo trabalho de localização, que não poupou na baixaria, incluindo termos como ‘porra’ e ‘ merda’ o tempo todo, o que deixa o clima mais tenso e ao mesmo tempo amigável, pois você se identifica mais com os personagens, principalmente com Cole e seu humor pastelão.
Com muito sangue, palavrões, tiros e explosões, Gears of War Judgment é uma ótima pseudo-continuação para Gears of War 3, melhorando muitos pontos da campanha e minimizando o multiplayer para fazer ‘menos e melhor.’ Com certeza é recomendado para qualquer fá da série e também para os CGO’s de primeira viagem.