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Início de um interrogatório

Ela acorda e se vê novamente no mesmo lugar: uma sala fechada, com uma parede totalmente espelhada à sua esquerda. Num dos cantos da parede havia uma câmera, e num outro, outra cadeira e à sua frente uma porta fechada. Entre ela, uma mesa de metal, presa no chão. Ela estava acorrentada, e sabia o porquê.
A porta se abre e entra um homem nela. Loiro, olhos azuis. Se não fosse casada, ela tentaria até cantá-lo, mas decidiu testar a sua resistência, pois ela viu que ele também usava uma aliança de casamento. Mas ele percebera a jogada dela.
– Não tente me seduzir. Sabemos que você ama ele e que você é boa nisso.
– Queria testá-lo.
– Seguinte: se você colaborar, pode ser que a gente e o seu marido possam sair bem dessa. Senão…
– Não vou ajudar você. Sei que ele é inocente. Armaram pra ele…
– As provas são incontestáveis.
– Você sabe muito bem que podemos forjar provas, Isaac.
Ela lera o crachá dele. Isaac Nilton. Diretor-geral do CSIB.
– Sua mãe gostava do físico para te nomear assim.
– Não tente me enrolar só para me ter aqui por perto. Faz quanto tempo…umas 27 horas de confinamento…apenas poucos intervalos para ir ao banheiro e se alimentar…
– Até que estou sendo bem tratada aqui…
– Comparado com o que você já passou… – Ele então sai da sala e volta em poucos segundos com uma pasta. – Rachel, nacionalidade russa, e fala um português fluentemente, sem sotaque…
– Sempre tive facilidade com idiomas…
– É, vimos que você é superdotada, e mesmo com o seu sofrimento nos últimos 2 anos você ainda manteve toda a sua inteligência…
– Tive de criar fantasias em minha mente para sobreviver nas ruas frias de Moscou…
– Continuando…foi estuprada há cerca de 7 meses por um terrorista. Grigorovich…
– Não gosto de falar sobre isso.
– É o seu ponto fraco, não é? É claro que mulher nenhuma vai querer comentar sobre isso…fora que o ato foi presenciado pelo seu marido. Na época, um agente federal altamente treinado… Depois do ato – ele continuou lendo – vocês conseguiram escapar – e ele para de ler, horrorizado – de um jeito impressionante. Seu marido tem um sangue bem frio para fazer o que ele fez com o Grigorovich…até mesmo uma tortura física com medicamentos seria menos doloroso.
– Foi o preço que ele pagou pelo ato de ter me violado…
– Melhor mudar de assunto: fale-me de Hauzard!
– O que quer saber dele?
– Tudo que você sabe dele.
– Pelo que eu sei, Hauzard é um terrorista altamente treinado. Um ex-militar…que ironia, parece que os inimigos mais poderosos foram mocinhos antes…um terrorista treinado por vocês…
– É…os piores violões estiveram do lado do bem. Como o seu marido.
– Ele é inocente.
– Duvido. As provas são incontestáveis! Mas…continue falando de Harzard.
– Bom, o cara parece um maníaco pelo CSIB e foi pelo SAT. Nunca vi ele querer matar inocentes, apesar de que ele matou aquela cartomante a sangue-frio, transformando a filha do Roger numa nova terrorista, que quase conseguiu me matar…sorte que eu tinha começado o meu treinamento como agente do SAT e depois ter ido para o primeiro escalão de agentes para o CSIB.
– Isso é outro mistério. Acha que Hauzard a contatou e ficou treinando ela aos poucos?
– Com certeza! Mas, desculpe, falei uma informação errada. Ela não é filha do Roger, apesar de que foi ele que a cuidou secretamente em toda a vida dela.
– Você sabe o paradeiro do Roger. Ele entrou numa missão e sumiu!
– Não sei.
– Acha que ter marido irá entrar em contato com ele?
– Não. Ele está lá fora, tentando provar a sua inocência!
– Fale da sua relação entre seu marido e Hauzard. Acha que eles irão se encontrar?
– Possivelmente.
– Interessante…acha que eles irão juntar forçar?
– Nunca. Eles se odeiam mais do que tudo.
– Mas por um motivo importante eles podem se juntar, agora que tem um inimigo comum.
– Dificilmente. E acho que se eles se encontrarem vão se pegar numa luta épica.
– Qual é o nível técnico de Harzard?
– Você não deveria saber sobre isso?
– Quero ouvir de você!
– Meu marido e Roger diziam que ele foi o soldado mais bem treinado deste país. Um cara altamente foda. Foda de derrotar, foda de pegar, ele quase sempre escapa dos cercos que a gente fazia. Algumas vezes com fugas espetaculares.
– Como a do julgamento?
– Sim.
– Uma pergunta: porquê está contando tudo isso. Sabe que quero entender isso para pegar o seu marido…
– Tudo que estou dizendo não vai ajudar a pegá-lo.
– Claro que vai. E também quero tentar entender isso…são duas mentes altamente complexas. A do seu marido, a de Hauzard…diziam que ele também é superdotado…
– Ele continua sendo. Ele é um gênio na mente dele e em arte militar. Meu marido me disse uma vez: a gente nunca conseguia pegar o Hauzard porquê ele sabia de todos os métodos e protocolos das agências e das Forças Armadas. E com isso previa todos os movimentos.
– Seu marido também sabe, e com isso conseguiu fugir dos nossos cercos.
– Sim.
Ele então se senta na outra cadeira e começa a pensar, olhando para o chão…
Continua…

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