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Preview – Split/Second

Um dos estilos que quase não ganha evoluções em suas mecânica de jogos (gameplay/jogabilidade) são os de games de corrida. Presente desde que os jogos eletrônicos são jogos, muita gente deve ter visto algum game de corrida na vida. Desde os Top Gear e Mario Kart até os Burnouts/Forza/Need For Speed, todas as plataformas receberam jogos e todo mundo acompanhou essa história. A maior parte das evoluções desde os primórdios ficaram na parte gráfica, com Gran Turismo 5 Prologue e o futuro Gran Turismo 5 (prometendo carros com visual fotorealista); e na física, com os simuladores Forza 3, Race Driver GRID e o já citado GT5. Em mecânicas de jogo, quase não teve mudanças. Da parte de jogos arcade (que não tem preocupação em ser simulador de direção veicular + competição) só tivemos mais gráficos e a adição/ melhora da destruição dos carros. Me lembro que o Need For Speed High Stakes (do primeiro Playstation) tinha um sistema de danos, mas era bem simples. Depois, só vi carros serem destruídos no Burnout, onde, diferente do Need, os carros amassam igual papel. Tirando isso, não teve nada de diferente, exceto o FUEL, trazendo um mapa aberto gigantesco, mas que acabou não ganhando notas boas da crítica especializada.
Um dos novos jogos da safra (PS3/Xbox 360/PC) que tentará inovar é Split/Second. O jogo é feito pela Black Rock Studios e patrocinado pela Disney. Quando se houve o nome Disney alguns chegaram a torcer o nariz, já que normalmente os nomes mais capacitados a fazer um jogo de corrida são a Polyphony Digital (Gran Turismo), Turn 10 (Forza) e a EA, com os Need For Speeds (que tiveram uma ascensão, queda e estão tentando ascender novamente) e os Burnout, estes últimos feitos pela Criterion Games. Só que a Black Rock também tem um currículo excelente, onde temos jogos como Moto GP ’06, ’07 e o Pure, este último de quadriciclo e que acredito ser bastante divertido. Então eles estão bastante capacitados a fazer um novo jogo de corridas, e Split/Second mostra que eles não estão brincando.

Split/Second consegue inovar num ponto onde não tem nenhum jogo equivalente que faz a mesma coisa: usar o cenário pra ferrar o oponente. Mario Kart, Crash Team Racing e o futuro Blur são jogos de corrida onde você ferra com o adversário, mas você usa elementos que saem dos carros, como bombas/raios/cascos de tartaruga. Split/Second difere de uma maneira mais realista e espetacular, onde você explode alguma edificação para ela desmoronar em cima do oponente ou aciona um helicóptero para derrubar uma bomba na pista, tentando atingir o oponente.
O enredo do jogo é simples: você vai participar de um programa de TV onde você terá de correr e ganhar, usando o cenário como arma. Abaixo temos o vídeo da introdução do demo jogável, para você entender, e usarei as minhas impressões do demo para comentar mais sobre o jogo:


Uma das coisas que chamaram a atenção do pessoal foi a parte dos elementos da tela. Eles deixaram praticamente tudo atrás do carro, como as posições, a volta atual e 3 barras, que deverão ser preenchidas para você conseguir acionar os “elementos de destruição”, também chamados de powerplays. São 2 níveis de powerplay: um mais fraco e outro mais potente, que pode ferrar com mais oponentes e causar uma destruição maior. O nível menor serve para ferrar com poucos oponentes (normalmente você ferra com 1 deles) e abrir atalhos que tem em alguns locais da volta. Você aciona o atalho, passa por ele e depois a barreira se fecha. Então se você ver alguém pegando um atalho, espero que esteja bastante próximo, já que se não estiver, você irá bater na barreira que obstrui o atalho. Aqui difere de Burnout Paradise, já que no Burnout a cidade inteira e os seus atalhos estão disponíveis. Em Split/Second não, e em apenas 2 pistas eu vi atalhos que “abre e fecha”. Acredito que tenha outras, mas isso ainda não foi mostrado pela Black Rock.
Da parte dos controles do carro a aceleração/ré é com os botões L2 e R2. Nesse ponto eu gostei, por manter algo que tá virando padrão em games do gênero. O ruim é que com isso os carros aparentemente não terão “nitro”, se resumindo a correr com apenas uma velocidade (já que o X, botão clássico dessa funcionalidade, é usado pra outra coisa). Velocímetro é outra ausência significativa, mas como o Burnout também não tem, então não vejo isso como uma desvantagem.

Quanto aos powerplays, eles são acionados usando os botões “Quadrado” e “Xis” para o primeiro powerplay e o “Círculo” para o segundo. O primeiro nível serve para causar pequenas explosões, como os barris que um helicóptero irá derrubar nos oponentes, além dos atalhos. O segundo serve pra causar explosões maiores e alterar rotas, onde uma mega-explosão irá resultar na obstrução da pista normal e irá abrir outra rota. Por exemplo, temos a torre de “controladores de vôo” do aeroporto:

Se você chegar perto dela com a barra vermelha ativa (no máximo) você poderá acionar o powerplay “Switch Routes”, onde você irá explodir os alicerces da edificação e a mesma irá ruir, terminando num desabamento épico. É claro que essa chance só aparecerá uma vez por volta (e um pouco antes) e qualquer corredor pode fazer a edificação ruir. Se tiver alguém prestes a passar por lá, as chances de ver o cara bater são grandes, além de poder ter a chance de destruir vários carros de uma só vez. Meu recorde atual é 4 corredores!
Em cada pista são muitas as oportunidades de fazer um powerplay. Algumas são únicas e permanentes, como as trocas de rotas (no demo jogável são 3 pontos), e outros são “ilimitados”, como os helicópteros tacando bombas, o que deixa o jogador bem cauteloso quando for passar por baixo de um deles. Afinal, você pode ser atingido, e mesmo que não seja atingido totalmente, os caras colocaram “física” quando algo explode perto de você, fazendo você perder o controle do carro por alguns segundos. Nessa hora, se você der bobeira, você pode bater forte no muro e então pode perder algumas posições, tal como ocorre no Burnout com um Takedown.

Da parte de manejo do carro, o mesmo acaba sendo um pouco mais pesado que o Burnout. Tentar também levar o oponente pro muro não funciona e os drifts acabam sendo mais “escorregadios” que no jogo da Criterion, aumentando a possibilidade de você rodar. Nesse caso é mais uma questão de costume para se acostumar com a jogabilidade do Split/Second. Só não sei se os outros carros tem uma jogabilidade parecida, mas acredito que seja diferente.
Outro ponto interessante do demo é a diversidade das disputas. Por termos 3 powerplays de troca de rotas, a cada corrida no demo o jogador poderia variar e inclusive a IA pode mudar a própria estratégia, nunca deixando as corridas iguais. Na troca de rotas perto da torre de “controlador de vôo” eu não precisaria fazer a mudança na primeira volta (caso eu consiga chegar na seção com a barra cheia) e sim em outras, podendo manter o traçado normal da pista e usar o powerplay em outro lugar. Mas ao usar, além da mudança permanente pras outras vol, a troca aciona outros scripts, como o avião que termina o pouso e vai na direção dos carros:

Fora a variedade de powerplays que podem ou não ser acionados, o que deixa este como um dos jogos de corrida com a maior estratégia dos videogames. O jogador pode pensar em usar um pequeno powerplay ou esperar encher a barra e usar um mais potente pra ferrar com os oponentes e ganhar a dianteira. Nesse ponto o multiplayer pode deixar as corridas com um nível de insanidade elevado, comparável apenas ao Burnout Paradise.
O game promete ter 72 eventos, divididos em 12 episódios, corridas de dia e à noite. 25 carros poderão ser usados, além de 3 modos de jogo extras: Survival, Air Strike e Air Revenge. O primeiro é algo parecido com uma das cenas de Exterminador do Futuro 2: num leito de um rio urbano (sem água, obviamente) você terá de correr contra caminhões que irão jogar barris pela pista:


Os outros 2 modos são uma disputa contra um helicóptero que tentará te destruir com mísseis, onde eles irão cair na pista e se você der alguma bobeira o seu carro será destruído:


Da parte de multiplayer, eles prometem 8 jogadores online e tela dividida para 2 players. Só não sei se esse split/screen será apenas offline ou se será possível jogar online. De qualquer jeito o multiplayer online pode ser bem interessante, mas que pode enjoar com algum tempo. Pelo jogo não ter a cidade “aberta” (como no Burnout e em alguns Need For Speeds) o multiplayer se resumirá ao survival (se tiver essa opção) e corridas comuns, igual no Gran Turismo 5 Prologue. No Burnout dava pra você cumprir desafios (challenges) ou mesmo montar as próprias rotas das corridas, dando uma longevidade enorme ao título. O Split pode até ser legal no começo, mas o meu medo é o jogo ter uma vida útil curta, o que deixa os jogadores com medo de comprar um game caro e encostar rapidamente depois.

Por fim, por estarmos próximos à data de lançamento (dia 18 de maio nos EUA), em breve surgirá na net os primeiros reviews dos sites internacionais (a Edge deu nota 8 pro jogo). Depois do lançamento os sites nacionais podem também avaliar o Split/Second, onde iremos descobrir se vale mesmo a pena comprar ou não. No momento ando pensando seriamente em adquirir, mas esperar os reviews podem ser fundamentais para comprar ou não. Espero que não caia no conto do hype, onde a gente bota muita fé no jogo mas no final acaba não sendo aquele jogo todo.
[Imagens via Joystiq]

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