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Primeiras Impressões – The Elder Scrolls V: Skyrim

Minha experiência com a série The Elder Scrolls é bastante limitada. O terceiro jogo, Morrowind, eu joguei por umas duas horas até encontrar um bug que me prendeu permanentemente no chão e eu teria que recarregar um save antigo para continuar jogando. Não demorou nem dez segundos para olhar pro lado, ver outro jogo mais interessante e abandona-lo para sempre. Já Oblivion me prendeu por mais tempo. Devo ter jogado algo entre oito e dez horas, mas no fim também não vi ali nada que me fizesse querer continuar explorando aquele mundo e conhecendo suas histórias.

A princípio, eu não estava muito empolgado com este novo jogo, mas bastou sair o vídeo de gameplay mostrando encontros épicos com mamutes, gigantes e dragões que minha vontade de jogar passou rapidamente de “meh, mais um Elder Scrolls” para “eu preciso jogar isso agora!”. E aqui vou comentar um pouco da minha experiência com o jogo até agora, que já beira as quinze horas, algo equivalente a uns 0.07% do total (valor totalmente aleatório e sem base científica alguma).

O chão treme a cada passo desses bichinhos.

Skyrim é o nome do jogo e também da gélida e montanhosa província setentrional do continente de Tamriel, onde se passam todos os jogos da série. A história começa com seu personagem sendo levado para a execução junto com alguns outros condenados. Um ataque de dragão, no entanto, salva sua vida no último instante, com o carrasco prontinho pra arrancar sua cabeça com seu singelo machado. Essa parte é bem simples e apesar de todo o perigo aparente, serve pra te ensinar algumas das mecânicas básicas e lhe permitir experimentar as diferentes formas de combate do jogo.

De volta à história, acontece que os dragões aparentemente estavam extintos e seu ressurgimento significa que algo de muito ruim está para acontecer. Um pouco mais à frente, descobrimos que o personagem principal é um Dragonborn, um ser o dom da língua dos dragões, que consegue absorver almas destas criaturas e dominar em instantes poderes que sábios levam décadas de treinamento para aprender. E vou parar de falar da quest principal por aqui, não para evitar spoilers, mas sim porque o mundo de Skyrim é tão amplo e tem tanta coisa para fazer que foi só até aqui que avancei na campanha.

Alguém vai ter uma surpresa desagradável e não vai ser eu...

E a vida fora da campanha principal é impressionante. A quantidade de quests e missões menores que vão surgindo chega a assustar. Mais de uma vez eu me peguei parado, analisando o mapa e pensando no que fazer a seguir: buscar informações sobre o guerreiro desaparecido para acalmar sua mãe, dar o recado para o bardo folgado deixar a moça da barraca de legumes em paz ou ainda decidir que está com a razão numa disputa entre caçadores de recompensa e sua presa? É possível ativar marcadores para saber exatamente onde ir para completar o próximo passo de cada quest e, pros apressadinhos, usando o mapa dá pra viajar diretamente para cada localidade já visitada, diminuindo assim o tempo gasto entre as idas e vindas necessárias para concluir cada tarefa.

A mecânica de jogo segue os passos dos títulos anteriores. A evolução de personagens é baseada quase que totalmente nas suas próprias ações. Ataque com uma espada e ganhe pontos de habilidade com armas de uma mão, destranque fechaduras ou ande furtivamente e ganhe pontos nestas habilidades. O mesmo de estende ao uso de magias, criação de itens, alquimia e qualquer outra skill. Ao evoluir suas skills um determinado número de vezes, o personagem sobe de nível. Nesse momento é possível escolher melhorar sua barra de magia, energia ou fôlego. O ganho de níveis também oferece pontos de perks que podem ser gastos para comprar habilidades especiais em uma árvore de skills.

É possível usar alguns elementos do cenário em combate. Aqui um óleo no chão pode ser incendiado para acertar os inimigos.

O combate segue três vertentes: magia, combate corpo-a-corpo e à distância. As formas de combate em si são auto-explicativas, mas é legal comentar que não há nenhuma restrição ou obrigação para o jogador escolher entre uma ou outra. Eu mesmo tenho jogado com um machado em uma mão e uma magia (de cura ou de ataque, dependendo da ocasião) na outra. É possível também configurar uns atalhos para ficar trocando entre as armas e magias equipadas, o que possibilita fazer alterações durante o combate sem ficar andando por menu após menu.

O ritmo dos combates nem sempre é o melhor. Especialmente em batalhas corpo-a-corpo, muitas vezes o que acontece é que simplesmente os dois adversários ficam de frente um pro outro atacando até alguém cair. Visualmente, o combate faz mais sentido quando os oponentes estão um pouco mais distantes, usando arcos ou magias e buscando cobertura e o momento certo pra atacar. O combate com escudo também agrega um pouco mais de estratégia, porque é preciso estudar o momento certo pra abrir a guarda e partir para o ataque. Mas, tirando combates contra alguns adversários mais difíceis, em geral a atitude kamikaze de ir para cima e atacar até alguém morrer tem funcionado bem comigo.

Até o momento, a história do Skyrim não mostrou nada de muito especial ou marcante (apesar que a primeira vez uns certos sábios projetam sua voz por toda Skyrim chamando por “Dovahkiin” é algo que não vou esquecer tão cedo), mas a ambientação do jogo merece destaque. As paisagens variam bastante, passando por campos gramados, florestas, cavernas, templos e regiões montanhosas com nevascas que te impedem de ver qualquer coisa há mais de dez metros de distância. Há um certo clima de desolação entre os habitantes da província e tudo indica que a vida por aquelas terras não é a das mais fáceis. O surgimento dos dragões vem só para piorar o que já era ruim.

O caminho dos sete mil degraus. Haja perna pra subir isso tudo!

E já que eu mencionei dragões, eles são o um ponto chave do jogo. Seja na publicidade, que abusou dos combates com dragões para vender esta edição, seja na história, já que tudo gira ao redor do retorno destas criaturas e do tal escolhido que domina o dom dracônico das palavras. Como parte da história, os encontros pré-programados com dragões vão acontecendo à medida que você progride. Mas também é possível encontra-los aleatoriamente passeando por aí. E é claro que o encontro com um dragão não é um passeio no parque e todo mundo nas proximidades se une para tentar derrubar o monstrengo.

Além da fama e de uns screenshots bem legais que dá pra tirar perto da carcaça dos dragões mortos, acabar com estas criaturas dá acesso às dragon souls. Estas almas são necessárias para ativar os shouts – poderes do Dragonborn que são descobertos nas dungeons, mas precisam dessas almas  como “combustível” para se tornarem disponíveis para uso. Isso leva a um dilema a cada vez que um dragão é visto: me escondo como uma mocinha e deixo o bichão passar ou arrisco uma morte dolorosa atrás da alma de recompensa?

Gostou? Fui eu que matei!

Na parte técnica, o jogo está bem bonito. Estou jogando no PC e fiquei surpreso com o quão bem ele está rodando na minha placa gráfica pertencente a uma série lançada em 2008. Não só está rodando com uma taxa de quadros aceitável, mas eu também consegui ligar uma boa quantidade de efeitos e definir uma razoável distância de visualização dos componentes do jogo (grama, personagens, objetos e muito mais, tudo configurado independentemente). E finalmente um jogo da Bethesda pode ser jogado na câmera em terceira pessoa sem que você tenha vontade de se oferecer para consertar pessoalmente e de graça o sistema de animação deles.

Enfim, Skyrim é um ótimo jogo. Recomendo bastante pra quem gosta de RPGs com temática medieval e também pra quem curte jogos gigantes, com toneladas de coisas para fazer. Em outros casos, com o tempo que já tenho de jogo, estaria ficando ansioso pra acabar logo, ver o final e partir pra próxima, mas estou curtindo Skyrim o suficiente pra sair a toda hora do caminho principal e sair explorando o mundo, cumprindo todo o tipo de quest secundária e, porque não, juntando uma graninha pra comprar minha casa, arrumar uma noiva e casar.

The Elder Scrolls V: Skyrim foi produzido pela Bethesda Game Studios e saiu no dia 11/11/2011 para PC, PS3 e Xbox 360.