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RPGs táticos: Por que jogamos?

Olá, pessoal! Esse é meu primeiro post aqui na Select Game e espero que vocês gostem e dêem bastante feedback. Escolhi um tema bem específico, mas que me agrada muito, que são os jogos de RPGs táticos (ou estratégicos, como preferirem). Antes que os amantes desse gênero me joguem pedra por acharem que o título do post seja uma crítica aos que jogam, explico que é exatamente o contrário e vocês logo perceberão isso. Minha intenção não é falar dos jogos separadamente (embora eu vá citar um ou outro título), mas sim falar do estilo, o que nos leva a gostar dele e quais caminhos poderão tomar nessa e nas próximas gerações dos games, tudo sob a ótica de um apaixonado pelo gênero, ou seja, eu!
Pois bem, embora eu já esteja com meus 31 anos (quase 32), minha experiência no gênero não é tão antiga assim (tsc, tsc), pois comecei a jogar com o fabuloso FFT (Final Fantasy Tatics), diga-se de passagem o melhor de todos na minha modesta opinião (e de 9 entre 10 jogadores desse estilo). De lá pra cá foram muitos outros títulos jogados, alguns excelentes, outros nem tanto.
Agora, analisemos friamente a questão a seguir. Esqueça sua paixão pelos jogos táticos e me digam: “O que raios nós vimos num estilo de jogo que não é bem um RPG, não há quase nenhuma decisão a tomar que influencie a história principal, onde você dita ações ao seu exército/grupo e fica olhando os personagens executarem essas ações e torcendo pra dar tudo certo?” Bom, é isso que vou tentar responder e com certeza quero contar com a ajuda de vocês para que mandem mais e mais explicações a essa pergunta.

Disgaea: Hour of Darkness (Ps2)

Em primeiro lugar, no RPG tático você tem a real sensação de que cada ato de cada personagem influenciará no resultado final da batalha, seja ele de vitória ou de derrota, ou seja, é preciso que cada um do grupo faça a parte que lhe cabe bem feita e isso se refletirá em cada mudança de turno. Ao contrário de um RPG tradicional, que na hora de uma batalha geralmente todos do grupo são colocados lado a lado, sejam eles guerreiros, magos, clérigos ou ladrões, num RPG tático você tem a possibilidade de arrumar seu time da sua maneira, arcando com as conseqüências, por exemplo, de se lançar um mago a frente do grupo num campo de batalha. Acredito que todos saibam quais são essas conseqüências, certo? A mesma coisa acontece se você colocar o guerreirão super forte com uma espada duas vezes maior que o inimigo na parte de trás do grupo. O que ele fará lá? Provavelmente não muita coisa. Isso dá a sensação a nós jogadores de que realmente temos as rédeas da batalha e, a não ser que a diferença entre o seu grupo e os inimigos seja muito alta, qualquer atitude fará a diferença, para o bem ou para o mal. Isso levanta uma questão interessante, que é preciso AGIR EM GRUPO, mesmo que você esteja lá, jogando sozinho contra o computador.
Eu acho bem legal você poder/ter que agir de diferentes formas em tão curto espaço de tempo e conhecer a fundo seu exército, pois um mínimo detalhe poderá alterar o resultado final. Mas agora você pergunta: você não disse no início que nenhuma decisão num RPG tático influencia a história principal? Bom, eu disse e explico. Nesse gênero suas decisões influenciam e muito dentro da batalha e irão fazer diferença num resultado de vitória ou derrota do seu grupo, mas não na história principal do game, pois seja qual for o desenrolar do enredo, as batalhas precisam ser ganhas, inimigos precisam ser derrotados, aliados precisam ser protegidos, etc, etc, etc. Isso não muda! Resumindo, suas decisões o farão avançar (ou não) no jogo, mas não mudarão seu destino. Certo?
Pois bem, outro motivo que pode explicar nossa paixão por esse estilo é mais específico (mas pode não se aplicar a você), que é o fato de jogar/gostar de RPG tradicionais de mesa, com planilhas, livros e dados multifacetados. O RPG tático eletrônico dá vida ao que você imagina nas suas seções de jogo com os amigos. A diferença lá é que você controla a ação exclusivamente de um personagem e depende dos seus amigos terem senso de grupo para vencerem os desafios, enquanto no videogame não (ainda). Mas quantos jogadores de RPG de mesa não usam uma matriz de combate (um tabuleiro quadriculado) e miniaturas de heróis e monstros para tornarem sua experiência mais real? Pois bem, o game eletrônico faz isso e você só precisa se preocupar em aproveitar e se divertir. Ta certo, nada substitui a experiência de se ter amigos reunidos em volta de uma mesa, jogando, rindo, discutindo e interagindo uns com os outros, mas isso hoje em dia estamos cada vez mais perto de unir o melhor dos dois mundos, haja visto as redes sociais cada vez mais presentes nos aparelhos e a própria tecnologia. Um dia conseguiremos!

Vandal Hearts: Flames of Judgment (PS3 e Xbox 360)

Há outro grupo de pessoas (eu conheço poucas, mas conheço) que nem sequer gostam de RPG tradicional (seja ele de mesa ou eletrônico), mas gostam dos táticos. Para essas pessoas o que importa é ter o controle da situação, poder posicionar sua tropas, vencer os inimigos e avançar no jogo. Essas pessoas na maioria das vezes, não perdem muito tempo no lado “rpg” do jogo, ou seja, nos detalhes dos personagens, nas evoluções das magias ou dos atributos, na escolha minuciosa das profissões/classes/raças que poderão fazer parte numa determinada batalha, etc. E elas se divertem assim? O mesmo que nós, apaixonados por RPG, creio eu.
Por fim acredito que o gênero privilegie jogadores mais casuais (sem deixar de lado o heavy user), já que, como dito acima, pode-se jogar perfeitamente a maioria dos jogos sem muitas configurações. A dificuldade dos jogos na maioria das vezes também não é tão alta, o que facilita para alguém que quer “desestressar” de um outro jogo (alguém pensou em Demon’s Souls? Tenso!) ou do dia a dia, pode ligar seu VG, jogar uma ou duas batalhas, estilhaçar uns goblins ou orcs ou uns alienígenas e desligar o aparelho feliz da vida.
Finalizando, gostaria de falar o que espero desse gênero para o futuro. Primeiramente devo dizer que ainda não joguei nenhum dos jogos desse estilo na atual geração dos videogames (ainda mais com essa onda multiplayer que vivemos e tals), mas gostaria muito de ver um RPG tático multiplayer, onde pudéssemos ter várias opções, como por exemplo um modo co-op, onde cada jogador controlasse um personagem, seja contra um exército controlado pelo computador ou por outros jogadores ou então um modo versus, onde dois (ou mais) jogadores controlassem um exército cada um. Mas não estou falando de jogos no estilo WoW (World of Warcraft), que não são baseados em turnos, teria que ser do mesmo jeito que funciona offline, cada personagem no seu turno. Acho que ficaria bem bacana, com opções de chat por voz e podendo enviar mensagens só para seu próprio grupo. Acho que teríamos batalhas épicas. Se já existir um jogo assim, POR FAVOR, ME AVISEM, EU QUERO!!!
Alguns jogos recomendados:
– Final Fantasy Tactics (será que alguém ainda não conhece esse?) (PS1)
– Vandal Hearts 1 e 2 (PS1)
– Disgaea: Hour of Darkness (Ps2)
– Stella Deus: Gate of Eternity (Ps2)
Bom, é isso pessoal. Aguardo a opinião de vocês pra gente debater o assunto. Espero também que digam mais motivos que fizeram/fazem com que gostem do estilo. Qualquer dúvida, elogio, reclamação ou sugestão, estou às ordens. Um abraço!
[Imagens via Videogames Blogger e Joystiq]

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