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Um breve devaneio sobre OST ou ‘Original Sound Track’

Que a trilha sonora de um jogo é importante, com certeza não tem como negar. Antigamente, ainda na época 8 e 16 bits, quando a trilha sonora era feita totalmente num formato MIDI, a trilha sonora de um jogo era um dos pontos altos do mesmo. Afinal de contas, quem nunca entrou na adrenalina das músicas de Top Gear 2, Mega Man  3, ou se emocionou com a beleza que era a OST (Abreviação para Original Sound Track) de Chrono Trigger, e Theme of Love de Final Fantasy IV? E isso naquele tempo, que o som das músicas eram quase idênticos. Por isso, a indústria dos games não dava a atenção necessária para as OST, deixando-as apenas como um tipo de “finalização” do jogo.

Depois entrou na era do MP3, e é ai que eu queria chegar, na época onde fazer música para games não era só para “completar” o game, mas sim se tornou parte da arte conceitual e geral do game. Ainda lembro da época em que botei no meu Playstation 1 ( o caixote) o disco 1 de Chrono Cross. E cara… quando vi e ouvi o “filmezinho” de entrada, lembro de deixar o controle paralisado na minha frente, deixar a tela de entrada rolando, só pra fazer voltar a animação e poder escutar aquela música, que anos depois eu fui descobrir que se chamava “Scars of Time”. Ai eu entendi, que o que viria pela frente seria épico. E foi. Pra mim, pelo menos. Assim foi com Final Fantasy IX, Legend of Mana e outros. (Na época eu era tarado por RPG, então meio que me prendi a eles) Mas enfim, sem muitas delongas, o que me trouxe a escrever este texto é exatamente isto: A música como parte da arte do game. Não como apenas algo pra complementar. Mas sim, algo que gera, junto com a arte visual, todos aqueles momentos, em que naquela animação, faz a gente dar um arrepio de tão épica (leia-se foda) que foi aquela cena.  Lembro-me ainda de muitos outros jogos com esse efeito, mas vou me ater a dois especificamente, que me fizeram sentar meu rabo na cadeira e escrever.

Pra quem jogou Assassin’s Creed (qualquer jogo da série) sabe que é um épico, com certeza um dos jogos que marcaram essa geração atual. Mesmo durante o jogo a trilha sonora ser mais amena, a OST é uma das melhores que já ouvi. Pra quem ainda não ouviu, aconselho baixa-la pela internet, ou até, se for um fã de música, compra-las separadas ou com as versões especiais dos jogos. Brevemente: Jasper Kyd é quem assina a OST da série AC. Ele fez a trilha de todos. Todas ótimas com certeza, mas ainda a trilha de AC II é incrível. “Ezio’s Family” é uma das melhores músicas que ouvi do ano passado pra cá, seguindo de todas as outras que seguem um ritmo mais acelerado. Desde que ouvi essa OST, procurei saber mais sobre esse tal de Jesper Kyd, e acabei descobrindo que o cara é grande na área musical de games. Fora a série Assassin’s Creed, o cara já fez  trilha para Hitman, Kane and Lynch, Unreal Tournament 3 e o incrível Borderlands (que tem uma OST do caralho, diga-se de passagem). Ele já trabalhou em músicas para filmes, comerciais e que lança músicas solos. Inclusive, entrando no site dele recentemente vi que ele lançou um álbum muito interessante e que recomendo pra quem gosta muito de música instrumental, escutá-lo. O cara é um produtor musical de mão cheia, e vale a pena saber sobre ele.

O outro jogo que me trouxe aqui é um que foi lançado ano passado chamado “Deus Ex: Human Revolution” Não consegui compra-lo logo no lançamento, não por falta de vontade, mas falta de verba.  Consegui o jogo em Janeiro deste ano, e logo que terminei, ele já entrou no top 5 dos melhores jogos que já joguei na vida. A trilha sonora é assinada por Michael MacCann, que também fez a trilha para “Splinter Cell: Double Agent”. Diferente de Jesper Kyd, que segue uma linha mais violino com sons eletrônicos de leve, MacCann é quase puramente Eletrônico, utilizando vozes de fundo, dando todo um efeito épico, com sintetizadores e baterias eletrônicas. O cara consegue dar arrepios em cada animação de Deus Ex. Fora que, se vocês procurarem por trailers antes do lançamento do jogo, conseguirão perceber o ar épico que queriam dar para Deus Ex: Human Revolution. Não só pela arte, ou pelo assunto que abordariam no jogo, mas pelas músicas de MacCann que simplesmente finalizavam a arte visual perfeitamente, passando aquela sensação de que algo grande está acontecendo ali naquele mundo e que a coisa vai ficar feia e trágica mais pra frente. Dá pra saber que vai complicar a coisa naquele universo só escutando a trilha. Pra quem quiser, também recomendo muito que procurem arquivos mp3 do Michael MacCann. Tem alguma coisa no Youtube, músicas deles mesmo, que não tem ligação alguma com jogos ou qualquer outra criação do gênero, recomendadíssimo também.

Bom, espero que eu tenha consegui passar um pouco dessa importância da música nos games, que sinceramente, nunca vejo muita discussão sobre isso, nem ao vivo e nem em fóruns. Mesmo que não escrevendo minha opinião sobre o assunto em geral, e me atendo mais na opinião sobre dois jogos específicos, espero ter deixado pelo menos dois ótimos exemplos pra quem quiser se aprofundar mais sobre o assunto. E espero que, se nunca pensaram muito a respeito, ou prestaram atenção, comecem a perceber os detalhes nas músicas naquelas cenas mais marcantes dos nossos jogos favoritos. Afinal de contas, o que diabos séria de “Castlevania: Lords of Shadow” se não fosse a trilha épica assinada por Oscar Araujo ou de ”Metal Gear Solid 3: Snake Eater” sem aquela musica cantada pela Cynthia Harrell, no melhor estilo James Bond? Com certeza, não teriam sido tão marcantes assim.

(Fora outras grandes OST’s que tem por ai, de séries importantíssimas e ótimas dentro do cenário gamer. Espero poder trazer futuramente minha opinião sobre outras séries e também uma visão mais ampla desta parte dos games, que tanto nos fascina muitas vezes.)

[Imagem via Melhor Final]

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