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Valve “lava as mãos” quanto aos “Acessos Antecipados” do Steam

Steam - Acesso Antecipado

Depois de algumas polêmicas e de “prejuízos” pra Valve, a empresa fez alterações no FAQ oficial do “Early Access”, para informar ao leitor dos riscos inerentes a compras dessas versões. O “Acesso antecipado” de jogos do Steam, que antes era mais uma experimentação de certos desenvolvedores, viraram moda e agora diversas empresas estão usando esse recurso, onde oferecem uma versão inacabada de seu jogo por um preço determinado (e já funcional), onde os desenvolvedores conseguem mais financiamento dos jogadores e eles ficam por dentro das novas atualizações, enquanto as equipes vão terminando o jogo e já recebendo feedback da comunidade.
Segundo o Gamasutra a página oficial, (veja aqui ou aqui a versão em português) cita que o jogador “precisa considerar em que situação o jogo está agora”.

Há vários caminhos para um jogo seguir durante o seu desenvolvimento, então se não estiver com vontade de jogá-lo no seu estado atual, aguente um pouco e aguarde a próxima atualização – que não deve demorar.

Além disso, na versão original da página (a versão nacional ainda não foi atualizada até o momento) cita o seguinte:

You should be aware that some teams will be unable to ‘finish’ their game. So you should only buy an Early Access game if you are excited about playing it in its current state.

Em tradução adaptada:

Você deve estar ciente de que algumas equipes não serão capazes de terminar’ o jogo. Então você só deve comprar um jogo de “Acesso Antecipado” se você está animado em jogar em seu estado atual.

Ou seja: se as equipes não terminarem, “tchau e bença”. “Adios grana”, já que o jogador perderá o dinheiro e, provavelmente, o acesso ao jogo, que você acabou comprando antes do lançamento. Recentemente, tivemos algumas questões inerentes a este desenvolvimento e algumas controvérsias: o Gamasutra citou o jogo “Towns”, onde o desenvolvimento foi oficialmente abandonado, isso após o game “vender” 200 mil cópias, com os desenvolvedores arrecadando 2 milhões de dólares. Já em maio a Valve devolveu a grana dos jogadores que compraram o “Earth: Year 2066”, com os jogadores reclamando nos fóruns do Steam que os desenvolvedores pegaram artes promocionais de diversos locais da internet e usado sem permissão, deletaram feedbacks negativos de sua página do game, e não tinham nenhum site oficial ou mesmo alguma atividade regular na internet, dando a entender que nesse caso eles agiram de má fé com os jogadores. Pra Valve isso é problema, pois ela acaba ficando com o prejuízo, e na matéria do Polygon ela até citou que “é de responsabilidade do desenvolvedor sobre promoções, recursos, preço e publicação”. “Entretanto, Steam requer honestidade dos desenvolvedores no marketing de seus jogos”.
Atualmente vivemos em uma época onde o desenvolvimento dos jogos “de ponta” estão ficando cada vez mais caros e muitas equipes pequenas recorrem ao Kickstarter e aos “Acessos Antecipados” pra tentar angariar fundos para poder desenvolver um jogo, sendo um caminho mais fácil e sem precisar de uma “publicadora” (publisher) que invariavelmente ficariam com parte dos lucros do jogo (ou até mesmo tudo, dependendo do contrato com as empresas). Para ter mais controle do projeto e dos lucros, diversas empresas conhecidas e desenvolvedores consagrados recorrem à doação coletiva, mas nem sempre os jogadores são correspondidos com os jogos que a empresa prometeu ou mesmo tem problemas após o financiamento. Um exemplo recente é a Harmonix, onde eles quase não conseguiram financiamento pro Amplitude, conseguiram a grana “praticamente em cima da hora” (faltando 21 horas pro Kickstarter encerrar, e aí eles até conseguiram um pouco a mais do que pediram) e dias depois demitiram 37 funcionários. Aí eu pergunto: você, que pode ter financiado o jogo, teria ajudado a financiar o jogo se eles fossem demitir esse tanto de gente depois? Provavelmente eu não daria a grana, e iria reclamar deles terem feito isso se eu tivesse doado uma grana pra eles. Pois em caso de demissões, a corda sempre arrebenta pro lado mais fraco: o do funcionário, que muitas vezes tem família, filhos e agora terá dificuldades por estar sem emprego.
Outra questão é que a gente acaba confundindo “financiamento” com doação, e muitas vezes a gente acaba tratando o projeto como “financiamento”. No caos do Kickstarter a gente está “doando” a grana pro desenvolvedor fazer, e no caso do “Acesso Antecipado” muitos consideram que estão “financiando” o desenvolvimento, considerando que as equipes entregarão o jogo melhor no futuro, e você pode participar e acompanhar o desenvolvimento. Muitos jogos hoje tem bastante sucesso e são elogiados pelos jogadores, como o DayZ, Starbound e o Prison Architech (citando alguns dos mais comentados pelos jogadores nos últimos meses), que estão ganhando constantes melhorias e mudanças. Aí no final das contas restará a honestidade do desenvolvedor em entregar o produto final, sendo que até mesmo nos jogos AAA temos jogos bons e ruins todos os anos. Aliens: Colonial Marines e o game do Rambo são alguns exemplos recentes que estão entre os piores dos últimos anos.
Por fim, com essa mudança no FAQ da Valve, ela terá todo o direito de não ressarcir os jogadores, e ela está no direito dela. O Steam é um intermediário entre a empresa e o jogador, podendo centralizar todas as informações referentes ao desenvolvimento e servindo de loja digital, sendo que hoje á a loja mais acessada do planeta, além deles terem promoções espetaculares em determinados períodos do ano. Ela quer ter uma salvaguarda pra não ter de ressarcir os jogadores, e ela está no direito dela, tanto dela cobrar o desenvolvedor, quanto dela continuar oferecendo os serviços do Steam, e nem sempre ela tem capacidade ou mesmo tempo pra ficar de olho em tudo que acontece nos fóruns e no desenvolvimento de muitos jogos. Ainda mais em uma época onde ela já lançou esse ano mais games que em todo 2013 (e muitos deles por conta do Greenlight).

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